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MP não recorre da absolvição do Benfica e de Vieira no caso Saco Azul

29 mai, 22:23
Luís Filipe Vieira (Manuel de Almeida/Lusa)
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Decisão coloca um ponto final neste processo judicial

O Ministério Público (MP) prescindiu de recorrer da absolvição do Benfica e do seu ex-presidente Luís Filipe Vieira no caso Saco Azul, adiantou à Lusa fonte ligada ao processo.

«O prazo para o recurso expirou e o MP não recorreu do acórdão que absolveu a Benfica SAD, a Benfica Estádio, Luis Filipe Vieira, Domingos Soares Oliveira e Miguel Moreira no caso Saco Azul», explicou a mesma fonte.

A decisão do MP de não interpor recurso coloca um ponto final neste processo judicial.

Em 23 de abril, o Tribunal Central Criminal de Lisboa absolveu todos os arguidos do processo Saco Azul: Benfica SAD, Benfica Estádio, Luís Filipe Vieira, que liderou o clube lisboeta entre 31 de outubro de 2003 e 15 de julho de 2021, o antigo diretor executivo (CEO) da SAD encarnada Domingos Soares de Oliveira, o ex-diretor financeiro Miguel Moreira, o proprietário da Questãoflexível, José Bernardes, e outros dois arguidos, José Raposo e Paulo Silva.

Na leitura do acórdão, sobre o alegado esquema dos arguidos para, entre 2015 e 2018, com recurso a contratos fictícios de consultadoria informática, retirarem do Benfica mais de 1,8 milhões de euros, que depois terão, em grande parte, regressado ao clube em numerário, o tribunal apontou dúvidas sobre a acusação.

«Somente com uma perícia técnica forense é que conseguimos saber quem fez o quê, quem entrou no sistema e que problemas informáticos foram criados. E agora era impossível, nesta fase de julgamento, fazer isso, volvidos 10 anos», apontou o presidente do coletivo de juízes.

Para o tribunal ficaram dúvidas sobre o que foi feito pelo empresário José Bernardes na empresa Questãoflexível, de que era proprietário, uma vez que o MP indicou na acusação a existência de contratos alegadamente simulados e celebrados entre a empresa Questãoflexível e a Benfica Estádio e pagos por esta e pela Benfica SAD.

«A questão tem de ver, apenas e só, com o chapéu que foi usado pelo arguido José Bernardes para fazer esses trabalhos para o Benfica. Essa é que é a grande dúvida», frisou o juiz presidente, acrescentando que «há argumentos para sustentar que José Bernardes poderá ter trabalhado na [empresa] Questãoflexível para fazer trabalhos para o Benfica, mas também há argumentos contra».

Depois de toda a prova analisada em julgamento, o tribunal considerou que não foi possível, «a esta distância, comparando versões de documentos, com a vaguidão que têm», chegar a uma conclusão livre de dúvidas.

À saída do tribunal, o presidente do Benfica, Rui Costa, manifestou na ocasião alegria por ver ilibada a instituição que lidera de uma suspeita que perdurou por uma década.

«Em muitas áreas, o Benfica foi prejudicado. É evidente que quando um clube com a dimensão do Benfica está num processo desta dimensão, isso prejudica a sua imagem e tira o orgulho ou mete dúvida nos benfiquistas. Hoje devemos estar felizes por isso, porque mais uma vez o Benfica foi ilibado e [o processo] prejudicou, sim, e de que maneira ao longo destes 10 anos», afirmou Rui Costa aos jornalistas.

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