Caso dos e-mails: «A conduta foi motivada por interesses do FC Porto»

24 jan, 18:23
Estádio do Dragão

Advogado do Benfica tentou contrariar a teoria de interesse público da divulgação da correspondência

O advogado do Benfica, Rui Patrício, considerou esta terça-feira que os arguidos no processo de divulgação de e-mails dos encarnados no Porto Canal foram movidos por interesses relacionados com o FC Porto e pediu condenações.

«A conduta [dos arguidos] foi motivada, em primeiro lugar, por interesses do FC Porto, e, em segundo lugar, para contribuir para o aumento das audiências do Porto Canal», afirmou o causídico, na sessão de alegações finais do processo, que decorre no Juízo Central Criminal de Lisboa.

O advogado do Benfica tentou contrariar a ideia de que os arguidos - Francisco J. Marques, Diogo Faria e Júlio Magalhães - agiram em nome do interesse público, ao divulgarem o conteúdo da correspondência no programa ‘Universo Porto – da Bancada'.

«Se os arguidos tivessem sido movidos pelo interesse público tinham entregado os e-mails às autoridades», disse Rui Patrício, sublinhando que «os arguidos não revelaram uma pinga de arrependimento».

O advogado considerou ainda que os três arguidos «conterão os crimes», mas com «participações e gravidades diferentes».

Os advogados de Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica à data dos factos, e de Carlos Deus Pereira, antigo presidente da Mesa da Assembleia Geral da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), ambos assistentes no processo, também pediram a condenação dos arguidos.

João Costa Andrade, advogado do arguido Diogo Faria, pediu a absolvição do seu cliente, alegando o interesse público dos conteúdos divulgados. «Não pode um cidadão exercer o seu direito de informar? Estes senhores, quando atuaram, fizeram-no convencidos da existência de interesse público.»

O julgamento prossegue na quarta-feira, com as alegações das defesas dos arguidos Francisco J. Marques e Júlio Magalhães

Durante a manhã, note-se, o Ministério Público (MP) pediu a condenação de Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto, por três crimes de violação de correspondência não consentida, mas deixou a pena «à consideração do tribunal», atendendo «à ausência de antecedentes criminais».

No que se refere a Diogo Faria, diretor de conteúdos do canal, que responde por um crime de violação de correspondência ou de telecomunicações e um crime de acesso indevido, a procuradora considerou que este terá ajudado o diretor de comunicação, mas defendeu que «o tribunal fará a qualificação dos factos».

Quanto a Júlio Magalhães, antigo diretor do Porto Canal, a representante do MP deixou «à consideração do tribunal» uma eventual condenação, defendendo que este «nunca teve participação direta no conteúdo direto no programa, nunca teve conhecimento antecipado dos e-mails e não participou na sua seleção».

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