Ministro da Educação atirou parte do problema dos exames para o ex-presidente do JNE. A resposta veio em formato de pergunta
Luís Duque de Almeida saiu dois dias antes do anúncio de digitalização do processo. Ainda antes dessa saída tinha avisado que este ano "não ia ser nada fácil"
O ministro da Educação sugeriu que o ex-presidente do Júri Nacional de Exames (JNE) não partilhou todas as informações de que dispunha em relação aos problemas no processo de digitalização das escolas.
A CNN Portugal foi falar com Luís Duque de Almeida, que saiu dias antes de a reforma se iniciar. A partir de Caneças, o profissional reiterou que não foi pedido qualquer relatório por parte do Ministério da Educação.
“Não houve nenhum relatório enviado à tutela, mas eu acho que o senhor ministro, uma vez mais, está a pôr as coisas ao contrário”, referiu, sublinhando que o Governo não tinha a informação de “um dos dois organismos com maior relevância no processo de avaliação externa”.
Luís Duque de Almeida lembrou que o Ministério de Educação podia, em todo o caso, ter pedido esse esclarecimento, tal como fez em relação aos exames nacionais do 9.º do ano passado.
À questão de Fernando Alexandre, Luís Duque de Almeida prefere responder com outra questão: “Como é que é possível tomar-se dia 11 de setembro a decisão da generalização do processo de classificação digital?”.
O ex-presidente do JNE garantiu que foi apanhado de surpresa, até porque não tinha a informação dessa decisão. “Se calhar, se essa informação tivesse sido comunicada no final de setembro, a meio de outubro, eu nem sequer diria nada, porque eu não saberia se teria havido ou não um pedido de informação”, acrescentou.
Sobre os erros detetados no exame de Filosofia, que devia ter servido como teste para o alargamento do processo, Luís Duque de Almeida limitou-se a dizer ao secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem-Cristo, que este ano “não ia ser nada fácil”.
A resposta do Governo foi que ia ser mais fácil por causa da digitalização, mas o que está a acontecer mostra que não foi bem assim.
Olhando para trás, Luís Duque de Almeida estranha que o anúncio do processo de digitalização tenha chegado apenas dois dias depois da sua saída, lamentando que o JNE não tenha podido dar a sua posição sobre a transição.
“Nunca disse que o senhor ministro tomou a decisão sem qualquer informação. Disse foi que ao JNE não pediu”, reiterou.
