Quarta sessão arranca com testemunho por videoconferência e relato de dois disparos
A quarta sessão do julgamento do caso Odair Moniz arrancou esta quinta-feira manhã, com a audição de seis testemunhas de acusação. A primeira testemunha foi ouvida por videoconferência a partir de Cabo Verde, por se encontrar ausente do país.
Dirceu de Castro, de 45 anos, residente no Bairro da Cova da Moura, afirmou não conhecer nem Odair Moniz nem o agente da PSP envolvido no processo. O depoente relatou que se encontrava deitado em casa quando ouviu um estrondo, que associou inicialmente a um possível embate no seu carro.
"Estava deitado, ouvi um estrondo. Pensei que já tinham batido no meu carro. Sai de casa a correr e encontrei grande aparato policial naquela confusão com Odair Do que me lembro vi os policiais a tentarem levar Odair para lado mais escuro, ouvi disparos. Vi os agentes da PSP a tentar manietar Odair mas não vi reação estranha de Odair, acho.
A testemunha acrescentou que observou os polícias a tentar manietar Odair, mas afirmou não ter visto qualquer reação estranha por parte deste, referindo ainda ter ouvido um agente da PSP questionar outro sobre a necessidade do que estava a acontecer.
"Ouvi um agente da PSP a perguntar ao outro: “Será que havia necessidade de fazer isto?“", afirmou, acrescentando: "Vi o Odair resistir à detenção. Mas não vi nada de perigo. Ouvi dois disparos".
Dirceu de Castro referiu ainda que viu um "agente com uma bolsa" e que falou esta quarta-feira com a testemunha que disse ter visto um polícia a tirar uma bolsa do carro de Odair e a colocá-la noutro sítio para ao pé do corpo do Odair.
"Estava a revistar a bolsa. Não vi objeto estranho nenhum. O que estava no saco não vi", acrescentou.
Confrontado com as questões do advogado, pareceu contradizer-se.
"A cabeça não estaria boa porque fui surpreendido pela Judiciária às 6:30. Na altura não sei bem o que disse", referiu.
A segunda testemunha, Mónica Varela, também residente na Cova da Moura, afirmou igualmente não conhecer nem Odair Moniz nem o agente da PSP. A testemunha relatou ter ouvido quatro barulhos que lhe pareceram disparos, descrevendo um estrondo seguido de dois disparos e os gritos de uma mulher a dizer “já o mataram”.
"Ouve-se um estrondo e dois disparos e uma senhora a gritar a dizer “já o mataram”. Vi o aparato todo e pensei “ai o meu carro”. Quando me aproximei vi Odair no chão. Ele estava no meio de dois carros. O meu carro foi atingido. O Odair estava meio de lado, sem reação", afirmou.
Mónica Varela referiu ainda não ter visto quaisquer objetos junto de Odair, acrescentando que não reparou em nada ao pé do corpo.
A terceira testemunha a ser ouvida foi Maria da Lúcia, proprietária do Café Montanha, que também afirmou não conhecer nem Odair Moniz nem qualquer agente da PSP envolvido no processo. A testemunha relatou ter ouvido um embate, que associou inicialmente a um possível choque com o carro do filho.
"Ouvi um embate. Pensei que tinham atingido carro do meu filho. Ouvi tiros e alguém a chorar. Quando ouvi alguém chorar eu saí. Vi uma pessoa no chão mas vi que não conhecia. Estavam polícias ao pé dele. Estavam dois e uma senhora", afirmou, referindo que Odair se encontrava de barriga para cima e relatou ter ouvido um agente da PSP dizer repetidamente “no abdómen, no abdómen” enquanto os polícias estavam a segurar-lhe o pulso e a prestar-lhe auxílio.
Foi também ouvido Rodrigo Raposo Chalim, agente da PSP que prestou assistência no local. O polícia ao tribunal explicou que se "encontrava em patrulhamento por volta das quatro da manhã, junto à esquadra da Damaia", quando recebeu uma chamada "em tom de aflição", da qual percebeu tratar-se de uma situação grave.
O agente afirmou conhecer Bruno Pinto, referindo que trabalhava numa esquadra da Amadora, e acrescentou que, "ao passar na Rua Principal da Cova da Moura, ouviu um disparo".
"Desloquei-me rápido e estacionei carro aos carro dos polícias. Eu e o meu colega, o agente Gouveia, vimos cidadão deitado no chão e prestámos auxílio. Havia uma série de indivíduos a descer a tua principal e fomos buscar colete e a arma ao carro. O meu colega, agente Gouveia, chamou meios de socorro, eu fiz perímetro de segurança e começaram a chegar mais colegas", afirmou, acrescentando que "aconteceu tudo muito rápido".
A sessão do julgamento prossegue com a audição das restantes testemunhas.
