Não sobreviveu a 22 jogos maus no West Ham. Das poucas coisas que lhe correram bem, uma delas ajudou Ruben Amorim a dar o salto
Julen Lopetegui entrou para a história do West Ham: em 124 anos de clube conseguiu ser o treinador mais rápido a ser despedido, depois de não ter resistido mais de 22 jogos à frente de uma equipa que há muito tenta dar o salto, mas que não consegue de forma nenhuma.
Depois de experiências falhadas em quase todos os sítios onde passou - salva-se uma Liga Europa no Sevilha, mas conquistar uma Liga Europa no Sevilha também é mais fácil do que em qualquer outro lado -, o treinador espanhol em quem Pinto da Costa viu um grande treinador em 2014 volta a ser despedido.
Foi assim no FC Porto, onde aguentou época e meia para, apesar de ter beneficiado do último fogacho financeiro da era Pinto da Costa; foi assim no Real Madrid, onde não chegou aos 15 jogos depois de ter deixado a seleção espanhola para assumir o cargo; foi assim em Sevilha, apesar da tal Liga Europa; foi assim em Wolverhampton, onde só fez 27 jogos; foi assim, agora, no West Ham, equipa que só mesmo em Ted Lasso consegue ter um desempenho parecido com o que os donos do clube desejam.
Quem viu a premiada série de comédia da Apple TV percebe logo que o lugar do West Ham não é na luta pelo título da Premier League. Mesmo com jogadores como Paquetá ou Kudus, a equipa de Londres que faz bolhinhas saírem do relvado continua bem longe do esperado.
Foi assim que Lopetegui chegou aos Hammers, com grande publicidade - como em quase todos os sítios onde trabalhou -, contando com o seu agente, Jorge Mendes, para revitalizar uma carreira que teima em ser feita de fracassos.
Apesar das promessas de levar o clube a um novo nível, o treinador conseguiu apenas seis vitórias em 20 jogos na Premier League, sendo que os jogos recentes se fizeram de goleadas sofridas perante Liverpool (0-5) ou Manchester City (4-1).
Dos poucos bons resultados que conseguiu em Londres, Lopetegui lembrar-se-à da vitória frente ao Manchester United. Lembra-se ele e lembra-se Ruben Amorim, já que foi essa derrota dos Red Devils que precipitou a saída de Erik ten Hag, o que abriu as portas de Old Trafford ao treinador português.
Esta nem foi, de resto, a primeira vez que os destinos de ambos andaram lado a lado, já que Ruben Amorim esteve perto do West Ham no fim da época passada - quem se lembra da mítica viagem de avião a Londres em abril?
De resto, Ruben Amorim é, segundo o The Athletic, uma das razões que ajudam a explicar o despedimento do treinador espanhol. A saber:
- Falta de dias de folga que afetou a moral dos jogadores;
- Ruben Amorim e Fabian Hurzeler (hoje no Brighton) também estavam na lista para o cargo;
- Os jogadores organizaram uma saída à noite depois de uma pesada derrota contra os rivais do Tottenham;
- Jean-Clair Todibo, ex-Benfica e uma das peças da defesa, teve um confronto com Lopetegui, sendo que os dois tiveram mesmo de ser separados;
- Os jogadores ficavam constantemente confusos com as ordens durante os treinos ou intervalos de jogos.
Apesar de estar vários pontos acima da linha de água, o que a direção esperava era algo mais como têm um Bournemouth ou um Brighton, em claro crescimento. Lopetegui contará agora, mais uma vez, com o amigo e agente Jorge Mendes para tentar encontrar novo cargo.
