opinião

Isabel II

31 mai, 07:00

Notas Soltas

Quem teve o privilégio de com ela privar, diz que é uma mulher com um grande sentido de humor. Mas exerce-o em privado. Nunca em público. A isso a obriga a sua missão? Qual é? Qual foi sempre? Zelar pela integridade da instituição, pela sua sobrevivência, pela sua  perenidade, pelo reconhecimento e respeitabilidades à escala global. Existem duas instituições que são imutáveis: a monarquia Britânica e o Vaticano. Resistência e Resiliência. Palavras que não significam exatamente a mesma coisa.

Isabel II esteve sempre com elevados índices de popularidade junto dos súbditos. Mas houve um momento em que esse respeito, admiração incondicional, foram postos à prova. Como todos estamos lembrados, tal aconteceu quando Diana morreu. Apesar das dezenas de livros publicados, dos filmes e séries (algumas extraordinárias) nunca se percebeu exatamente o que a Rainha pensava da mulher do filho Carlos e o mesmo se passava com Diana. Na célebre entrevista à BBC onde assumiu que uma das razões para o falhanço do seu casamento foi existirem "três pessoas" na relação, referindo-se a Camila. Porém, a linguagem esparsa da Rainha sugeriu muitas vezes que lhe era estranho o comportamento de Diana, separada de Carlos, principalmente a proximidade física que mantinha com o mais comum dos cidadãos.

Foi precisamente que, quando Diana morreu, que Isabel II foi posta à prova. O mundo gostava realmente de Diana. A sua empatia era contagiante. Quando faleceu, em Paris, deixando dois filhos menores, a Rainha estava em Balmoral, na Escócia. E quando o Mundo chorava a morte da "princesa do povo" como lhe chamava o então primeiro-ministro Tony Blair, a conselho do seu assessor político, Alain Campell, Isabel II tardou em reagir. E a compreender. Foi necessário que Blair falasse pessoalmente com ela para que víssemos perante as câmaras da televisão uma mulher vestida de negro, com palavras de lamento. Talvez este tenha sido um dos momentos mais difíceis do seu reinado. Talvez nunca o venhamos a saber. Os reis não escrevem livros de memórias.

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