Multimilionário russo suspeito de ligações ao crime organizado aguarda nacionalidade portuguesa

29 jul, 08:49
Judeus sefarditas (GettyImages)

REVISTA DE IMPRENSA. Oligarca foi certificado como judeu sefardita e o processo está na fase final

Gavril Yushvaev, multimilionário russo com registo criminal e suspeito de ligações a organizações criminosas, já passou no processo de certificação como judeu sefardita e aguarda agora que lhe seja atribuída a nacionalidade portuguesa, avança o jornal Público.

Depois de Roman Abramovich e Andrei Rappoport, que já estão naturalizados, Yushvaev junta-se a Lev Leviev e God Nisanov no leque de oligarcas russos que aguardam o despacho do Ministério da Justiça para receber o passaporte português, tendo já sido certificado pela Comunidade Israelita do Porto (CIP) como descendente de judeus sefarditas.

Yushvaev nasceu em 1957 em Makhachkala e vive atualmente em Moscovo, tendo uma fortuna avaliada em 1,7 mil milhões de euros, de acordo com a Forbes. No entanto, apesar de ter enriquecido graças aos negócios que passam pelo imobiliário, petróleo e alta tecnologia, o oligarca chegou a ser condenado por roubo e a passar nove anos num campo de prisioneiros em 1980.

Já em 2013, foi referenciado num relatório da Direcção de Informação da Unidade Central Especial 2 da Guarda Civil espanhola por estar ligado ligado a organizações criminosas da Europa do Leste. 

Após o colapso da União Soviética, Gavril Yushvaev tornou-se parceiro de David Yakobashvili, que também terá ligações ao crime organizado, no casino Metelitsa, em Moscovo, e na holding de concessionários automóveis Trinity, cujo primeiro negócio, de acordo com o jornal russo Novaya Gazeta, em colaboração com o consórcio de jornalista Organized Crime and Corruption Reporting Project, foi vender carros usados vindos dos EUA.

Yushvaev fundou ainda o grupo de lacticínios Wimn-Bill-Dann, um dos maiores da Europa, em 1992, sendo que em 2010 vendeu a sua participação à PepsiCo por 1,1 mil milhões de euros. Depois, reinvestiu parte deste valor em start-ups tecnológicas europeias e americanas, sendo uma delas, a Lyft, a plataforma de transporte de passageiros semelhante à Uber.

Estes casos surgem na sequência da polémica levantada pela naturalização do multimilionário russo Roman Abramovich, através do regime para descendentes de judeus sefarditas, num processo que foi certificado pela Comunidade Israelita do Porto (CIP), responsável pela certificação da grande maioria dos pedidos de naturalização remetidos para os serviços de conservatória e o Governo.

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