Os membros da Geração Z querem ajudar os outros através do seu trabalho, mas as dificuldades financeiras e os problemas de saúde mental estão a impedi-los de o fazer
Quando surge a oportunidade de ajudar os outros e causar um impacto positivo, a Geração Z responde com “sim”.
Um novo estudo revela que a grande maioria dos jovens quer ajudar os outros através do seu trabalho – e que estes empregos orientados para o cuidado podem contribuir para um bem-estar mental geral.
Quase 80% da Geração Z nos Estados Unidos da América afirma estar interessada em empregos que permitam ajudar os outros, segundo um inquérito divulgado pela Gallup, em parceria com a Walton Family Foundation e com o Harvard University’s Making Caring Common Project.
“Numa altura em que a solidão e os problemas de saúde mental são um tema para a Geração Z, estes dados mostram que querem ajudar outras pessoas, lutando para encontrar um sentido e um propósito na vida”, diz Katherine Senseman, consultora de investigação da Gallup.
O estudo Gallup Voices of Gen Z destaca uma correlação entre dois aspetos da vida. Entre os que concordaram causar um impacto positivo na vida de outras pessoas, 89% concordou total ou parcialmente sentir que as suas vidas tinham sentido.
“Ajudar os outros faz bem à nossa saúde mental, e muitos jovens da Geração Z sentem falta de sentido e de propósito, o que realmente não é bom para a saúde mental”, nota Richard Weissbourd, diretor do projeto Making Caring Common e professor sénior da arvard Graduate School of Education. “Estão a encontrar sentido e propósito em ajudar os outros”.
Estes dados ajudaram os investigadores a obter uma melhor compreensão sobre como o propósito se manifesta na vida das pessoas e como pode estar ligado à intenção de fazer coisas pelos outros, destaca Anthony Burrow, professor associado de Psicologia na Cornell University, em Ithaca, Nova Iorque, que não participou na investigação.
No entanto, a Geração Z também citou razões para não encontrar esse sentido.
Barreiras a uma vida com sentido
Como nativos digitais, os membros da Geração Z estão conscientes da sua dependência dos ecrãs, com mais de metade a referir o uso improdutivo da tecnologia como uma barreira relevante ao desenvolvimento de uma vida com propósito. Quase metade reconheceu ter problemas de saúde mental e 34% considerou que a falta de relações pessoais era um fator que contribuía para o sentimento de falta de propósito.
Embora os empregos orientados para o cuidado possam levar à superação de algumas destas barreiras, a verdade é que os próprios empregos também levantam preocupações.
Quase metade da Geração Z cita preocupações com as suas finanças e bem-estar pessoal, identificando-as como fatores que desencorajam a procura de empregos destinados a ajudar os outros. Os jovens não consideram que este tipo de trabalho pague o suficiente e sentem que as funções são, muitas vezes, mais desgastantes emocionalmente do que outras profissões.
Metade dos inquiridos referiu que gostaria de ter um emprego que pagasse o suficiente, sem ser demasiado stressante, como aquilo que mais desejavam para as suas carreiras. Por isso, trabalhos com baixos salários e altos níveis de stress na área dos cuidados entram em conflito com as suas prioridades.
Além disso, a própria pressão de encontrar um sentido para a vida pode ser avassaladora. Mais de metade dos adultos da Geração Z concordam que a pressão que sentiam para ter sucesso na vida os stressava, especialmente entre os que tinham entre 19 e 21 anos.
Weissbourd observa que a pressão para conquistar algo e que a pressão para encontrar um sentido para a vida andam de mãos dadas.
“Em parte, é a quantidade de pressão que se coloca para alcançar resultados, mas também a razão pela qual se está a procurar alcançar algo”, junta Weissbourd. “Se houver um propósito para isso, é provável que tenha uma saúde mental melhor”.
A Gallup e os parceiros realizaram o inquérito em dezembro de 2025, entrevistando 2.436 jovens, com idades compreendidas entre os 13 e os 28 anos, residentes nos Estados Unidos.
Como motivar a Geração Z a ajudar os outros
Quando questionados se aceitariam um emprego com um salário mais alto, em vez de um emprego com mais sentido ou propósito, quase metade da Geração Z respondeu que sim. Contudo, se o dinheiro não fosse um problema e se já vivessem com um salário confortável, a maioria dos jovens diz que manteria o atual emprego.
Mais de metade da Geração Z afirma que a realização de um trabalho que seja gratificante em termos pessoais está entre as suas três principais prioridades. Há 25% que também classificaram a ajuda e o cuidado aos outros como uma prioridade.
“Esta é uma história de oportunidades. Quando surge a oportunidade de fazer algo com um propósito ou sentido, em geral, esta geração diz ‘quero fazer isto’”, resume Burrow.
O especialista incentiva os responsáveis pela contratação, os formadores e as gerações mais velhas a considerarem esta informação como uma forma de ajustar as suas visões sobre a geração mais jovem.
Isto também pode, acredita, levar os recrutadores a acrescentar informações sobre as ações de solidariedade que a empresa leva a cabo nas suas vagas de emprego, ou os administradores escolares a criar programas que exploram aspetos das carreiras que dão um sentido ou propósito aos alunos.
“Estas barreiras podem transformar-se em oportunidades para as organizações, empresas ou até mesmo para as escolas, se realizarem um trabalho preparatório, discutindo como as experiências, tarefas e fluxos de trabalho podem, de facto, apoiar e sustentar algo como um propósito de vida”, conclui Burrow.
