Esta cidade afundou 5,4 cm em 12 dias e apareceram fendas em mais de 700 casas. O que é que está a acontecer?

13 jan, 20:28

 

 

As dúvidas sobre o porquê disto estar a acontecer tão depressa são muitas. Ambientalistas falam numa destruição do ecossistema, que está a chocar de frente com as alterações climáticas e os desastres naturais. Mas também há quem aponte o dedo às construções apressadas

A cidade de Joshimath, nos Himalaias, está a afundar a olhos vistos e o governo indiano já decretou o estado de calamidade. As fendas no chão, nas estradas, nas paredes e nos tetos das casas são visíveis e a própria terra já começou a ceder. Nos últimos 12 dias, estas fendas têm-se tornado cada vez maiores e algumas delas chegaram mesmo a jorrar água. Imagens satélite divulgadas pelo Indian Space Research Organisation (ISRO) mostraram que entre 27 de dezembro de 2022 e 8 de janeiro de 2023 a cidade afundou 5,4cm. Um agravamento bastante rápido se pensarmos que entre abril e novembro de 2022 afundou apenas 9cm. 

De acordo com o The Washington Post, estas fendas dos últimos dias atingiram mais de 700 casas no centro da cidade, o que obrigou a que muitos moradores fossem retirados pelas autoridades locais. Para além disso, foram ainda evacuadas escolas e hotéis. Propensa a terramotos, Joshimath tem cerca de 22.000 habitantes. 

"O pânico é absoluto", disse Suraj Kaparuwan, um empresário de 38 anos cuja casa está situada numa "zona de perigo". Os azulejos começaram a saltar, a portas e janelas já não fecham e as paredes começaram a ceder. Kaparuwan e a família foram obrigados a sair de casa. Por lá, ficaram fendas que vão do rés-do-chão ao primeiro andar e caixas com roupa e outros pertences embalados à pressa.

Foto: AFP via Getty Images

As dúvidas sobre o porquê disto estar a acontecer tão depressa são muitas. Ambientalistas falam numa destruição do ecossistema, que está a chocar de frente com as alterações climáticas e os desastres naturais. Dizem que isto é um sinal de alerta não só para a Índia, como para toda a região do Himalaia Hindu Kush, que contém o terceiro maior reservatório de gelo glacial do mundo. O Himalaia Hindu Kush estende-se por 3.500 quilómetros e abrange oito países: Afeganistão, Bangladesh, Butão, China, Índia, Nepal, Myanmar e Paquistão. 

Os ambientalistas apontam aqui um outro fator: as construções apressadas que têm estado a ser realizadas na cidade e que foram esta semana  interrompidas. Pushkar Singh Dhami, governante do Estado de Utaracanda, onde se situa Joshimath, anunciou que todas as cidades que estavam a ser alvo destas obras iam ser fiscalizadas para garantir que estavam a ser consideradas as necessidades ecológicas e económicas. 

No fundo, existem muitas razões que podem provocar um afundar da terra. Contudo, na grande maioria das vezes envolve atividade humana. A subsidência da terra pode ocorrer quando a água subterrânea, que sustenta essa mesma terra, é removida de certas rochas. Quando não há água, a rocha "cai sobre si mesma", explica o United States Geological Survey (Serviço Geológico dos Estados Unidos). 

Foto: AFP via Getty Images

Apesar dos vários alertas por parte de especialistas, as autoridades locais têm-se recusado a apontar uma causa concreta para o afundamento de Joshimath. Além da construção de infraestruturas que, alegadamente, não têm respeitado o ecossistema e as alterações climáticas têm funcionado como multiplicador. Aliás, os moradores atribuem a culpa a um projeto hidroelétrico que está a ser construído nas proximidades da cidade e que recebeu luz verde por parte do governo indiano. Os habitantes dizem que as explosões as perfurações num túnel subterrâneo provocaram estragos no escoamento e que isso tornou a terra instável. 

Washington Post questionou a NTPC, empresa de energia estatal responsável pelo projeto, que não respondeu às questões. No entanto, o Indian Express revelou que esta negou as acusações e disse que túnel não passa por baixo de Joshimath.

Foto: AFP via Getty Images

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