Europa vive "momento mais perigoso" desde o fim da Guerra Fria, diz Borrell

Agência Lusa , CE
7 fev, 20:56
Josep Borrell

"Ninguém concentra 140.000 soldados fortemente armados na fronteira de um país sem que isso represente uma grande ameaça”, explicou

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, defendeu esta segunda-feira em Washington que a Europa atravessa “o momento mais perigoso” desde o fim da Guerra Fria, apesar de ser ainda possível uma “solução diplomática” com a Rússia.

Inquirido numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo norte-americano, Antony Blinken, sobre os alertas dos Estados Unidos quanto à iminência de uma possível invasão russa da Ucrânia, Borrell afirmou ter “uma grande preocupação” com essa ameaça.

“Estamos sem dúvida a viver, na minha opinião, o momento mais perigoso para a segurança da Europa desde o fim da Guerra Fria: ninguém concentra 140.000 soldados fortemente armados na fronteira de um país sem que isso represente uma grande ameaça”, sustentou, fazendo uma estimativa das dimensões do contingente russo às portas da Ucrânia mais elevada que os 110.000 homens referidos nos últimos dias por responsáveis norte-americanos.

“Esses 140.000 militares concentrados na fronteira não estão lá para tomar chá”, exclamou o Alto Representante da União Europeia para a Política Externa e de Segurança.

Ao seu lado, o secretário de Estado norte-americano rejeitou qualquer “alarmismo” nos alertas feitos por Washington.

“Não é alarmismo, são simplesmente os factos”, afirmou.

Os norte-americanos e os europeus acusam o Presidente russo, Vladimir Putin, de estar a preparar uma invasão da Ucrânia e ameaçam impor severas sanções económicas se ele passar à ação.

“Não pensamos que o senhor Putin já tenha tomado a sua decisão, mas ele mobilizou os meios para, se decidir fazê-lo, agir muito rapidamente contra a Ucrânia de uma forma que terá consequências terríveis para a Ucrânia, a Rússia e para todos nós”, frisou Blinken.

Os dois responsáveis garantiram, contudo, que a diplomacia ainda está em ação.

“Pensamos que uma solução diplomática para esta crise ainda é possível. Esperamos o melhor mas preparamo-nos para o pior”, resumiu Josep Borrell.

Durante o seu discurso de abertura no conselho bilateral de Energia, em Washington, Blinken sublinhou que "a Rússia tentou aumentar a vantagem energética", com as empresas russas a deixar de distribuir gás natural para a Europa, contribuindo para o aumento dos preços da energia, em pleno inverno.

Nesse sentido, o chefe da diplomacia norte-americana reiterou o compromisso de Washington em garantir o abastecimento energético da Europa.

Juntamente com Blinken e Borrell, também participaram no conselho bilateral a comissária europeia para a Energia, Kadri Simson, e a secretária da Energia dos EUA, Jennifer Granholm.

Esta reunião realizou-se 10 dias depois de as duas partes terem respondido às ameaças da Rússia nas fronteiras da Ucrânia, reforçando a sua aliança energética para garantir o fornecimento de gás natural ao grupo dos 27, no caso de uma crise provocada por uma eventual invasão russa.

Num comunicado conjunto, em 28 de janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeram "intensificar a cooperação energética" para que cidadãos e empresas da UE e dos países vizinhos "garantissem um abastecimento de energia fiável e acessível".

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