Sócrates diz-se "contaminado" com as perguntas sobre os "marotos" e as "fantasias" sobre "os amigos"

10 jul 2025, 19:26
José Sócrates em tribunal (Lusa)

Portanto, até a ver a tabela classificativa de amigos de José Sócrates continua com Carlos Santos Silva - conhecido como o "melhor amigo" - na liderança isolada, seguindo-se agora Henrique Granadeiro - à casa de quem Sócrates foi almoçar várias vezes - e só surge Ricardo Salgado - com quem chegou a falar ao telefone pelo menos uma vez sobre coisas "marotas". Pelo meio ainda andará certamente o primo José Paulo, mas o ex-primeiro-ministro ainda não se dignou em colocá-lo neste ranking.

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Antigo primeiro-ministro não escondeu a frustração perante as questões sobre quem é mais ou menos seu amigo

Ao fim da quarta sessão do julgamento do processo Marquês, há uma certeza, assumida pelo próprio José Sócrates: "Estou contaminado com o que se tem passado aqui." O antigo primeiro-ministro voltou a exasperar-se após ter de expressar "um genuíno sentimento de amizade para com o dr. Henrique Granadeiro", antigo presidente do Conselho de Administração e CEO da PT.

"Eram amigos? Em que grau? O que diziam ao telefone? Algum conteúdo pornográfico para sair nos jornais, seus marotos?", ironiza José Sócrates perante algumas das questões com que tem vindo a ser confrontando ao longo das primeiras sessões.

Com o fim do tema PT, a tarde foi dedicada a novos assuntos: Grupo Lena e Parque Escolar, que estão ainda ligados ao tópico TGV, mas que, alegando o cansaço de todos os presentes, incluindo o próprio, e perante a extensão desse tema, José Sócrates pediu para que só fosse iniciado na próxima sessão de julgamento (terça-feira).

Sobre o Grupo Lena, Sócrates entende que o Ministério Público lançou uma "suspeição sobre a empresa que nunca teve fundamento" e que só existe porque o seu "melhor amigo" Carlos Santos Silva tinha negócios que envolviam o grupo empresarial.

Para o ex-governante, a comunicação social dizia que o “Grupo Lena era a empresa do regime e nada é mais falso”. Sócrates compara, por isso, o número de adjudicações do Estado ao Grupo Lena durante os seus mandatos e com os anteriores e diz que o valor foi menor: “Dos 2283 contratos, o número de contratos da empresa Lena foi apenas 14.”

Sócrates reforça a ideia comparando a quota de mercado do Grupo Lena no seu governo, que era de 2,54%. "Quanto é que teve em igual período dos seis anos anteriores? Nos governos de António Guterres e Durão Barroso teve 2,93%. O que quer dizer que diminuiu”, lembra.

"É uma fantasia e um insulto ao governo, a mim e ao Grupo Lena", argumenta o antigo chefe do Governo.

Sobre a acusação que envolve a Parque Escolar, é, para Sócrates, "algo absolutamente singular, uma acusação sem crime". O arguido garante que de tudo o que lhe está a ser imputado esta "é a pior das acusações, porque é aquela que o MP não diz que há crime".

"Esta acusação é covarde", defende o ex-primeiro-ministro, questionando: "Qual é o crime que foi cometido? Não dizem e isso é muito desonesto, porque quem quer fazer uma acusação fá-la diretamente."

Para o antigo primeiro-ministro esta acusação nada mais é do que "uma maledicência". "A maledicência de um governo e de uma linha política” fabricada para destruir "toda a obra pública" deixada por José Sócrates durante os seis anos e três meses que esteve aos comandos do país.

Mostrando-se como um homem com uma vasta cultura geral, é o próprio José Sócrates quem confessa que afinal havia algo que não sabia. "O que eu não sabia era que o ódio político da direita tinha contaminado o MP", culmina o ex-primeiro-ministro e principal arguido do processo Marquês.

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