Ministério Público suspeita que a compra de uma casa na Malveira possa ter sido simulada, funcionando como mecanismo para canalizar fundos para o antigo primeiro-ministro
O Ministério Público abriu um novo inquérito a José Sócrates e ao empresário Carlos Santos Silva por suspeitas de branqueamento de capitais, num processo que corre no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) desde 2025.
Segundo o Observador, que avançou com a notícia, a investigação foi desencadeada na sequência de factos tornados públicos na última semana pelo semanário Sol e envolve ainda dois familiares do ex-primeiro-ministro, os primos Pinto de Sousa. Em causa está a compra, em 2023, de uma habitação na Malveira, no concelho de Mafra.
O imóvel terá sido adquirido por Carlos Santos Silva a Pedro Pinto de Sousa por cerca de 780 mil euros. As autoridades suspeitam de que o negócio possa ter sido simulado, funcionando como mecanismo para canalizar fundos para José Sócrates.
De acordo com o Observador, o DCIAP investiga a eventual prática do crime de branqueamento de capitais, tendo como crime precedente um alegado ato de corrupção. Os indícios apontam para a possibilidade de o dinheiro utilizado por Santos Silva na transação ter origem em verbas que estiveram congeladas no âmbito da Operação Marquês e que foram posteriormente devolvidas ao empresário por decisão do juiz Ivo Rosa, na sequência da decisão instrutória de abril de 2021.
No processo principal, Sócrates responde por 22 crimes, três de corrupção passiva, seis de fraude fiscal qualificada e 13 de branqueamento de capitais. Por sua vez, Carlos Santos Silva enfrenta 23 acusações: dois crimes de corrupção, 14 de branqueamento e sete de fraude fiscal.