Em entrevista à CNN Portugal, o ex-primeiro-ministro faz várias acusações: "O Ministério Público mandou uma jornalista perguntar-me o que fui fazer a Abu Dhabi". E ainda: "O PGR inventou uma averiguação preventiva ao anterior líder do PS para que perdesse as eleições", numa alusão à averiguação preventiva a Pedro Nuno Santos anunciada durante a campanha para as anteriores legislativas - averiguação essa que foi depois arquivada
José Sócrates afirma que o Governo está a "pagar um favor" ao juiz Carlos Alexandre com a criação de uma comissão de combate à fraude no SNS, que vai ser liderada pelo juiz. “Só agora é que pode pagar. Se o pudessem ter feito, tê-lo-iam feito antes. Sorte é que tivemos um governo de esquerda entre 2015 e 2024. Mas estão a pagá-lo agora e, na primeira oportunidade, pagam. Isto em qualquer sítio do mundo daria um escândalo, muito semelhante ao que aconteceu no Brasil [com Sérgio Moro]”, disse o antigo primeiro-ministro na CNN Portugal esta quarta-feira.
“Este lugar não existia, foi criado para ele. Foi criado justamente para dar uma oportunidade ao juiz Carlos Alexandre de recuperar o seu protagonismo e aquele comportamento de ‘Ó, como eu odeio as câmaras de televisão – Olá, cá estou eu'. Aparecia sempre nas câmaras de televisão, mas odiava a exposição mediática”, ironizou Sócrates, que refere ainda que o cargo “não tem sentido nenhum” e que a comissão pretende “estigmatizar o SNS”.
José Sócrates falou também sobre a investigação ao juiz Ivo Rosa, notícia dada em primeira mão pela TVI e pela CNN Portugal, e diz que a mesma foi motivado pela decisão instrutória no âmbito do processo Marquês. “[Ivo Rosa] tomou [essa decisão] como um juiz livre e tomou-a desagradando ao Ministério Público e o Ministério Púbico fez-lhe um inquérito. Só aqui em Portugal é que não se leva isto a sério, isto teria consequências muito sérias noutro país.”
José Sócrates diz que pretende juntar estes dois casos à queixa que já tem aberta no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, bem como o julgamento de Ricardo Salgado – “só em Portugal é que se julga dementes”.
Sobre o processo Marquês e a escolha do seu novo advogado, José Preto, o ex-primeiro-ministro diz que lhe agradou o currículo e algumas ligações que tem com ele. Sócrates agradeceu ainda a Pedro Delille, o anterior advogado, que foi um “amigo” e “companheiro” ao longo de 11 anos, e criticou a juíza Susana Seca por ter “deixado implícito” que o ex-primeiro-ministro esteve na origem da sua renúncia.
No final, houve ainda tempo para falar das presidenciais, sendo Gouveia e Melo o candidato preferido do antigo primeiro-ministro. “Vou votar no almirante. Não o conheço e não gosto de votar em militares, mas é o que me oferece melhores garantias de que não aceitará a extrema-direita no poder. Todos os outros candidatos não me oferecem essas garantias, são todos moderadozinhos, redondinhos, perfeitinhos”, disse Sócrates.
Antes deste anúncio, fez outras duas acusações: "O Ministério Público mandou uma jornalista perguntar-me o que fui fazer a Abu Dhabi"; "o PGR inventou uma averiguação preventiva ao anterior líder do PS para que perdesse as eleições".