Sócrates compara sorteio da Operação Marquês aos encobrimentos dos abusos de menores na Igreja Católica

CNN Portugal , BMA
3 jan, 08:21
José Sócrates
José Sócrates

Ex-primeiro-ministro escreve carta aberta ao Conselho Superior de Magistratura: "A Igreja demorou a aprender. Espero que o sistema judicial não leve tanto tempo"

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O antigo primeiro-ministro, José Sócrates, escreveu uma carta aberta ao Conselho Superior da Magistratura. No documento, datado da última quarta-feira, 29 de dezembro, Sócrates compara  o que diz ser o "encobrimento" dos juízes na distribuição do caso Marques ao que a Igreja fez relativamente à pedofilia.

"Há cinco anos, o Conselho defendia que a nova distribuição do Processo Marquês não era necessária e que ela 'foi manual por não poder ser eletrónica dados os problemas de funcionamento que determinaram o encerramento do Citius em setembro de 2014'. Hoje reconhece que nada disto era verdade – a distribuição era necessária e o sistema informático naquele tribunal estava a funcionar regularmente", pode ler-se.

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"O relatório admite, finalmente, que no dia 9 de setembro de 2014 a distribuição do Processo Marquês foi manipulada e falsificada. Não foi feita por sorteio, não foi feita com a presidência de um juiz, não foi feita de modo a garantir igualdade na distribuição de serviço.", continua, reiterando que durante cinco anos o Conselho Superior de Magistratura tenha defendido o que agora considera ser uma irregularidade.

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José Sócrates acaba mesmo por dizer que o que ocorreu a 9 de setembro de 2014 foi uma "trapaça jurídica com o objetivo de escolher, de forma arbitrária, o juiz do caso". "Um juiz conveniente. Um juiz parcial. Um juiz capaz de ordenar a detenção no aeroporto por perigo de fuga quando estava a entrar no País e não a sair; um juiz disponível para colaborar com o festim da violação de segredo de justiça que se seguiria", afirmando que Carlos Alexandre fez insinuações a seu respeito, tratando-se de uma "gravíssima manipulação" da escolha do juiz de maneira fazer do processo judicial um "jogo de cartas marcadas".

O antigo primeiro-ministro continua a carta dizendo que, ao ler o relatório, a primeira ideia que lhe surge é compará-lo aos primeiros comunicados feitos pela Igreja Católica, a propósito do abuso de menores.

"Ao ler este vosso relatório, a primeira ideia que me vem ao espírito tem que ver com os primeiros comunicados da Igreja Católica a propósito do abuso de menores. A Igreja demorou a aprender. Espero que o sistema judicial não leve tanto tempo a perceber que o encobrimento só agrava as coisas, não as resolve"

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