"Nós as pessoas somos maiores que o medo". Nesta exposição, os cartazes continuam a dar voz às preocupações daqueles que os desenharam

23 abr, 09:00

O arquivo Ephemera, de José Pacheco Pereira, coleciona cartazes artesanais de manifestações dos últimos anos em todo o país, e até no estrangeiro. Cada pedaço de cartão é uma voz única, cada reinvindicação uma preocupação. A Biblioteca Municipal do Barreiro inaugura este sábado uma exposição com uma selecção de cartazes deste arquivo.

Provocadores, divertidos, rebeldes, radicais. Os cartazes expostos nesta coleção representam tantas vozes quanto os pedaços de cartão aqui expostos. E são muitas vozes, que podem ser agrupadas em grandes temas como a luta feminista ou o combate contra a gentrificação.

"O grande princípio desta coleção é o «Não me calo!». É a expressão individual do discurso que cada um quer ter", explica José Pacheco Pereira, que nos conduz nesta pequena amostra saída do arquivo da Associação Cultural Ephemera. O arquivo conta já com 700 cartazes, nem todos cabem na exposição que cobriu duas salas e o hall de entrada da Biblioteca Municipal do Barreiro com frases de ordem e de protesto.

A coleção começou há cerca de oito anos, com os cartazes das manifestações contra a troika, mas entretanto já se lhes juntaram outros mais antigos, anteriores ao 25 de abril.

Olhando para os cartazes, podemos tentar adivinhar quem é que os segurou. Eles "são reveladores da idade, da geração de quem o faz", nota Pacheco Pereira. Os mais velhos usam uma linguagem que "é fácil de reconhecer", os mais novos, por exemplo, usam o inglês. "Não é porque esperam que sejam ingleses a ver os cartazes, o inglês é hoje uma língua internacional".

A organização da exposição inspirou-se na música de Sérgio Godinho. Os cartazes estão divididos em secções como a Paz, o Pão, a Habitação, a Saúde e a Educação, onde cabem as reinvindicações mais antigas, como a precariedade laboral e a habitação social, e as mais novas, como o feminismo, as questões LGBT ou as greves estudantis pelo clima.

A produção artesanal dos cartazes é visível, mas o que conta são as palavras que cada um decidiu escrever no seu pedaço de cartão. "Isto é aquilo que as pessoas querem dizer, individualmente consideradas numa manifestação. Mesmo que na manifestação haja elementos coletivos, organizações, sindicatos, partidos, isto é a voz individual de cada pessoa", destaca Pacheco Pereira.

E há um cartaz, simples e provocador, que o historiador gosta de salientar nesta mostra. Um pedaço de cartão rectangular, onde alguém desenhou com letras maiúsculas, a preto e vermelho, a seguinte interpelação: "Se Deus não gosta dos gays porque os fez tão lindos?".

Não é apenas um cartaz com uma pergunta. Aquele pedaço de cartão, como todos os outros que aqui estão, é uma pessoa.

A exposição "Liberdade (a sério) inaugura este sábado, dia 23 de abril, às 17h00 na Biblioteca Municipal do Barreiro. A exposição pode ser vista até ao dia 28 de maio.

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