Special One está prestes a regressar ao banco do Benfica, clube onde deu os primeiros passos como técnico principal. Agora com um currículo recheado de títulos nacionais e europeus conquistados em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha
José Mourinho é o nome dado como mais provável para suceder a Bruno Lage no Benfica após o ex-treinador das Águias não ter resistido a uma série de maus resultados na I Liga e na Liga dos Campeões. Com 63 anos, o Special One, que já tem um princípio de acordo com o clube da luz, construiu uma carreira marcada por várias conquistas em múltiplos países e por uma identidade controversa que muitas vezes o coloca em rota de colisão com dirigentes e adeptos.
Mourinho formou-se em Ciências do Desporto e começou a dar aulas de Educação Física na Escola Secundária Zeca Afonso, no Seixal, no início dos anos 90. Ao mesmo tempo, começou a dar os primeiros passos como adjunto. O pai, Mourinho Félix, era treinador. Foi ali ao lado que José Mourinho começou por dar as primeiras pisadas, então como adjunto de Manuel Fernandes no Estrela da Amadora.
Na temporada de 1992/93 chegou ao Sporting como terceiro treinador e tradutor de Bobby Robson, a quem Sousa Cintra entregou os destinos do clube num campeonato em que os leões terminaram em terceiro. Acabaria por seguir o inglês depois para o FC Porto, onde conquistou o campeonato e, mais tarde, para o Barcelona, onde também trabalhou com Louis van Gaal.
No virar do século chegaria a altura de dar o passo seguinte. Assumiu o comando técnico do Benfica por alguns meses, antes de sair em rota de colisão com a direção recém-epossada de Manuel Vilarinho. Começou a sua passagem pelo clube com uma derrota por 1-0 frente ao Boavista, que viria a ser campeão nacional naquele ano. Mourinho acabaria por apresentar a demissão do Benfica na 13.ª jornada após uma vitória por 3-0 contra o Sporting.
Na última passagem no clube onde deverá regressar, o Special One registou seis vitórias, três empates e duas derrotas. Viria depois a assumir o comando técnico do União de Leiria, onde se destacou depois de conseguir oito jogos sem perder. Deixou o clube na quarta posição antes de ser contratado pelo FC Porto para o resto da temporada 2001/02, deixando os dragões no terceiro lugar, mas com um aviso: "na próxima temporada seremos campeões".
No Porto, não só cumpriu a sua promessa como repetiu o feito na época seguinte. Além disso, no clube, conquistou a Taça UEFA contra o Celtic (2003), a Taça de Portugal (2003, contra o União de Leiria) e a Liga dos Campeões (2004), prova em que derrotou o Mónaco por 3-0 na final, tendo eliminado antes o Manchester United e o Lyon, além de um potente Deportivo da Corunha.
Seria em Inglaterra, na época seguinte, que Mourinho se tornaria um ícone da Premier League. Nas duas passagens que teve no clube londrino (2004-2007; 2013-2015), conquistou o campeonato inglês três vezes (2005, 2006, 2015), e a FA Cup em 2007. Logo à chegada era o próprio que cunhava o termo Special One. Não era mais um entre muitos, mas sim um campeão europeu e, por isso, alguém especial.
Seguiu-se o Inter de Milão, onde Mourinho permaneceu entre 2008 e 2010. No último ano da primeira passagem por Itália conseguiu alcançar o Triplete - venceu a Serie A, a Taça de Itália e a Liga dos Campeões -, o único treinador a alcançar este marco no país. Na saída fica a histórica imagem de um homem duro como Marco Materazzi a chorar baba e ranho agarrado ao treinador.
No ano seguinte, ao serviço do Real Madrid, Mourinho conquistou a Taça do Rei, derrotando o Barcelona na final de Valência e quebrando um jejum de 18 anos do clube na competição. Na temporada seguinte, levou o conjunto merengue ao título da La Liga com 32 vitórias em 38 jogos e 121 golos marcados. Durante o seu comando, entre 2010 e 2013 a equipa atingiu ainda três meias-finais consecutivas da Liga dos Campeões. Mais que tudo isso, foi a verdadeira pedra na engrenagem daquela que, para muitos, é a maior máquina de futebol do século, o Barcelona de Pep Guardiola.
Após a segunda passagem pelo Chelsea (2013–2015), em que ainda voltou a vencer uma Premier League, José Mourinho seguiu para o Manchester United, em maio de 2016. Em Old Trafford, o treinador conquistou a Liga Europa, a Taça da Liga e a Supertaça Inglesa, mas acabou por ser despedido em 2018 após uma relação tumultuosa com a estrutura do clube, que estava longe de saber que viveria com ele os seus últimos grandes êxitos.
Na temporada seguinte, Mourinho assumiu o comando do Tottenham em novembro de 2019. Em Londres, levou os Spurs até à final da Taça da Liga em 2021, mas acabou dispensado poucos dias antes do jogo. Apesar de algumas vitórias marcantes, a passagem ficou marcada pela irregularidade da equipa e pela dificuldade em transformar o Tottenham num candidato ao título. Por falar em títulos, esta foi a primeira vez em que saiu de um clube grande sem qualquer título.
Viria a conquistar novos títulos na AS Roma, quando tomou conta da equipa após abandonar a Premier League. Logo na sua primeira época completa, conquistou a recém-criada Liga Conferência Europa (2022), batendo o Feyenoord na final e tornando-se o primeiro treinador a vencer as três competições europeias de clubes da UEFA. Na temporada seguinte, levou os giallorossi até à final da Liga Europa, perdida apenas nos penáltis frente ao Sevilha.
Mourinho deixou a Roma em janeiro de 2024, após dois anos e meio, e tornou-se técnico do Fenerbahçe em junho do mesmo ano. Na Turquia, não foi além do segundo lugar na competição principal e viria a ser despedido já durante o arranque da atual época após ser eliminado pelo Benfica no play-off de acesso à Liga dos Campeões. 25 anos depois, é esperado o anúncio do seu regresso ao Estádio da Luz.
Como o próprio disse e Bruno Lage fez questão de relembrar, o homem que tem o plantel do Benfica é alguém cheio de sorte. Essa sorte, que agora terá de ser comprovada, chega às mãos de José Mourinho.