Em causa podiam estar crimes como tráfico de influência
O Ministério Público arquivou o processo em que se investigava, há mais de 10 anos, uma alegada pressão exercida por José Maria Ricciardi, ex-presidente do BES Investimento, sobre o então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho quanto à privatização da REN, num despacho a que a CNN Portugal teve acesso.
Em causa podiam estar crimes como tráfico de influência, depois de Ricciardi ter caído em 10 escutas telefónicas com Passos Coelho
entre janeiro e julho de 2012 - mas o despacho do DCIAP diz que as pressões exercidas “estão nos limites do admissível”.
O antigo primeiro-ministro foi apanhado nas escutas, em 2012, quando Ricciardi liderava o Banco Espírito Santo de Investimento. O inquérito foi aberto no ano seguinte e foram constituídos arguidos o banqueiro e Jorge Tomé – à data presidente do Caixa Banco Investimento, que assessorou o Estado na venda da EDP e da REN.
Uma das escutas aconteceu duas semanas antes de o governo ter aprovado a privatização da REN. O então presidente do BESI assessorava a proposta da State Grid, empresa chinesa, e procurou informações junto de Passos, mas o governante pediu-lhe que “não levasse a mal” mas não podia “falar com ele sobre essa matéria”.