O partido “tem que mudar para crescer” considera José Manuel Pureza

Agência Lusa , PP
29 nov, 11:32
José Manuel Pureza

“Já houve tantos vaticínios de desaparecimento, nunca se cumpriram. O Bloco é um partido que tem força. Está numa situação difícil é evidente, tem que mudar para crescer, é evidente”, disse Pureza à chegada da reunião magna que arranca hoje em Lisboa e marca a despedida de Mariana Mortágua da liderança do partido

José Manuel Pureza, que encabeça a moção A à XIV Convenção Nacional do BE, considerou este sábado que o partido “tem que mudar para crescer” e defendeu “todos os diálogos” para que a esquerda volte a ganhar iniciativa e força.

“Já houve tantos vaticínios de desaparecimento, nunca se cumpriram. O Bloco é um partido que tem força. Está numa situação difícil é evidente, tem que mudar para crescer, é evidente”, disse Pureza à chegada da reunião magna que arranca hoje em Lisboa e marca a despedida de Mariana Mortágua da liderança do partido.

O antigo vice-presidente do parlamento antecipou dois dias de discussão sobre “caminhos e formas de ganhar força”, mas sobretudo do partido estar ao “serviço das lutas de quem não tem poder e de quem está a ser agredido pela extrema-direita, pela direita extrema”.

“Temos que ter a capacidade de, com inteligência, com humildade, fazer todos os diálogos que forem necessários para que a esquerda reganhe iniciativa e reganhe força no nosso país. O Bloco tem isso no seu ADN e vai procurar cumpri-lo”, assegurou.

Outro das bases de uma eventual liderança sua, segundo Pureza, é a necessidade do BE “alterar procedimentos e a cultura de organização”.

“Temos que ser uma organização com muito maior capacidade de envolvimento, muito maior capacidade de tratar bem a militância, de estimular a militância. Isso é absolutamente fundamental e temos que nos organizar para isso e eu acho que há uma vontade unânime nesse sentido”, enfatizou.

A XIV Convenção Nacional do BE arranca hoje, em Lisboa, com a intervenção de abertura por Mariana Mortágua, que se despede da coordenação, ao fim de dois anos de um mandato marcado pelo declínio eleitoral do partido.

Mortágua espera "mudança" e admite erros mas rejeita que tenham sido "determinantes"

A coordenadora nacional cessante do BE, Mariana Mortágua, disse hoje esperar que a 14.ª Convenção traga “a mudança que o partido precisa” e, apesar de admitir erros, negou que tenham sido “determinantes”, apelando a uma reflexão à esquerda. 

“Acho que o Bloco precisa de uma mudança. Eu espero que esta Convenção seja a convenção da mudança. Tenho a certeza que é a convenção que o BE precisa neste momento”, afirmou Mariana Mortágua, à entrada da 14.ª Convenção Nacional, que decorre no pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa.

A coordenadora, que em outubro anunciou que não pretendia recandidatar-se ao cargo que ocupa desde 2023, admitiu erros durante o seu mandato mas considerou que “muito provavelmente não foram determinantes para uma coisa que é muito maior do que nós” que é “o poderosíssimo avanço da direita e das suas ideias”.

“Se me pergunta se a minha direção e se o meu mandado foi capaz de combater esse avanço da extrema-direita, não, não foi”, reconheceu.

Neste contexto, Mortágua considerou que o partido “precisa de mudar, precisa de refletir e esta convenção serve para isso”.

Além do BE, toda a esquerda que "está hoje muito fragilizada", tem que "hoje que refletir, que pensar, que discutir abertamente sobre o que fez bem, sobre o que fez mal, sobre o contexto em que vive e quais são as condições da mudança que Portugal precisa".

Na ótica de Mortágua, "a esquerda tem que ir ao debate das ideias".

"Estamos a perder a batalha das ideias. A batalha ideológica mesmo. A direita tem um poder ideológico hoje em Portugal fortíssimo. E a esquerda tem que ir a esse combate", considerou.

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