Líder do PS "compreende" autarca do PS que mandou demolir barracas e pede ao Governo para intervir

Agência Lusa , PF
15 jul 2025, 22:42
José Luís Carneiro apresenta candidatura a secretário-geral do PS (Lusa/ Rui Minderico)

Em causa está a demolição de barracas no bairro do Talude Militar, em Loures. Várias pessoas ficarem sem teto

O secretário-geral do PS disse esta terça-feira que as autarquias deparam-se com "dificuldades" devido a "construções precárias", referindo-se às barracas. José Luís Carneiro diz ainda que é necessário adoptar soluções equilibradas "com humanismo e sensibilidade social" na resolução destes diferendos e pede a intervenção do Governo.

Em declarações à agência Lusa - na sequência da decisão judicial que impediu a Câmara de Loures, presidida pelo socialista Ricardo Leão, de demolir habitações no bairro do Talude Militar, em Loures -, José Luís Carneiro considerou que "a construção clandestina não é solução para os problemas de habitação".

"O PS compreende as dificuldades que se colocam às autarquias onde se instalam construções precárias, desde logo no cumprimento da lei e da sua responsabilidade pela segurança física das pessoas. Mas entende que nas soluções a encontrar há sempre que procurar soluções pensadas, equilibradas e centradas na resolução do problema, com humanismo e sensibilidade social. Garantindo a dignidade, particularmente dos mais frágeis e vulneráveis."

Para o líder socialista, "o governo e os ministérios da Segurança Social e da Habitação têm o dever de não fecharem os olhos à dificuldades que hoje e de novo enfrentam os autarcas das áreas metropolitanas".

Aos jornalistas durante a visita ao local, José Luís Carneiro defendeu que "Portugal não pode ser um país de barracas de novo" e afirma que as imagens das demolições "chocaram-nos a todos".

As declarações do secretário-geral do PS à Lusa ocorrem um dia depois de o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa ter decretado, num despacho consultado pela Lusa, que a Câmara Municipal de Loures presidida pelo socialista Ricardo Leão está “impedida de executar o ato de demolição” de habitações no Bairro do Talude Militar.

O tribunal aceitou “provisoriamente a providência cautelar de suspensão da eficácia de ato administrativo” – ou seja, de demolições de habitações – interposta por uma advogada, em representação de 14 moradores do bairro.

O tribunal considera “verificada a situação de especial urgência”, decretando a notificação da sua decisão “de imediato e da forma mais expedita”, e recorda ainda que “o processo cautelar é um processo urgente”, dando ao município um prazo de 10 dias para contestar a decisão, “sem prejuízo do despacho”.

No pedido de providência cautelar, os 14 moradores e suas famílias – que incluem duas pessoas doentes, sete crianças e uma grávida – afirmam que estão “em risco de ficar sem habitação e em situação de sem-abrigo” e "não terem qualquer alternativa habitacional”.

Segundo a advogada que representa os moradores, na segunda-feira “foram demolidas casas que estavam abrangidas por providência cautelar” e, por isso, vai avançar com uma queixa-crime contra a autarquia, “por crimes de abuso de poder e de dano”, e exigir que as pessoas afetadas sejam indemnizadas.

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