Carneiro acusa Governo de falhar na resposta ao aumento do custo de vida

Agência Lusa , AM
28 mar, 11:19

Secretário-geral do PS salientou que as propostas do PS estão longe dos 150 milhões por mês anunciados pelo Governo, para fazer face ao aumento dos combustíveis

O secretário-geral do PS acusou o Governo de estar a falhar na resposta ao aumento do custo de vida devido à guerra no Médio Oriente, insistindo na necessidade de medidas “mais robustas”.

“Eu estou convencido de que o Governo está de novo a falhar, a ser parco, a ser escasso na resposta que está a dar ao custo de vida das pessoas”, criticou José Luís Carneiro, à chegada ao segundo dia do 25.º Congresso do PS, que decorre até domingo, em Viseu.

Depois de ter avançado com quatro propostas no seu discurso de abertura na sexta-feira para fazer face aos aumentos de preços no país, Carneiro insistiu na necessidade de medidas “mais robustas”.

“O Governo adotou medidas que do nosso ponto de vista foram insuficientes. Nós propusemos mesmo que houvesse uma redução de 10% do IVA para todos os bens afetados, fossem combustíveis, fossem bens alimentares, mas que mexem com toda a nossa economia. O Governo disse também que a nossa proposta era inadequada”, lamentou, contrapondo com o exemplo de Espanha.

Carneiro salientou que as propostas do PS estão longe dos 150 milhões por mês anunciados pelo Governo, para fazer face ao aumento dos combustíveis. Em sentido contrário às propostas socialistas, na sexta-feira, após a reunião de Conselho de Ministros, Luís Montenegro afirmou que “não está em cima da mesa nenhuma intervenção ao nível do IVA”, nem nos combustíveis, nem no cabaz alimentar.

O líder dos socialistas argumentou que as suas propostas não afetarão o equilíbrio das contas públicas nem as responsabilidades orçamentais.

“O Governo, do meu ponto de vista, e por isso é que ontem aqui voltei a reiterar, deve tomar medidas que sejam medidas mais robustas, mais capazes de responder particularmente ao aumento com os custos relativos aos combustíveis e ao gás e relativos, também ao aumento com os bens alimentares essenciais”, sublinhou.

Na sexta-feira, o líder socialista avançou com quatro propostas: IVA zero nos produtos alimentares essenciais, a redução de 23% para 13% no IVA dos combustíveis e do gás, a duplicação do consumo de energia tributada a 6% e a isenção de ISP sobre o gasóleo para a agricultura.

Em linha com o discurso do primeiro dia de Congresso, Carneiro insistiu que o Governo da AD (PSD/CDS) tem que se decidir e esclarecer o seu posicionamento político, escolhendo aproximar-se do PS ou do Chega.

José Luís Carneiro foi ainda questionado sobre o que quis dizer ao certo quando afirmou que dirá um “rotundo não” a tentativas de desequilibrar o Tribunal Constitucional, mas não especificou.

Interrogado sobre a entrevista ao Público do antigo presidente da Assembleia da República Augusto Santos Silva, que referiu que o “PS não tem nenhuma obrigação de ser muleta do Governo, sobretudo quando é ignorado”, Carneiro afirmou que não a leu.

Ex-primeiro-ministro sueco alerta para a importância de proteger SNS

O antigo primeiro-ministro da Suécia e líder do Partido Socialista Europeu, Stefan Löfven, alertou hoje para a importância de proteger o SNS dos interesses privados e considerou a vitória de António José Seguro uma lição para a Europa.

Num discurso no período de abertura do segundo dia de trabalhos do 25.º Congresso Nacional do PS, Stefan Löfven começou por salientar a vitória de António José Seguro nas eleições presidenciais, afirmando que foi um resultado “demonstrador da força das instituições e da confiança que os cidadãos depositam num liderança responsável”.

“Envia também outra mensagem: Numa altura em que as forças extremistas tentam dividir as nossas sociedades e enfraquecer os valores democráticos, o povo português demonstrou que a democracia ainda prevalece. Demonstrou que o medo e a divisão não são as respostas. E isto, meus amigos, é uma lição poderosa para toda a Europa”, acrescentou.

Löfven considerou também que o PS, sob a “renovada liderança de José Luís Carneiro”, mantém-se como uma “força política muito forte, empenhada na melhoria da vida das pessoas, no reforço da democracia e na defesa da justiça social”.

Depois de enfatizar que “o movimento socilaista sempre teve como objetivo a melhoria da vida das pessoas”, o sueco definiu quais devem ser três prioridades atualmente: a habitação acessível, o custo de vida e a “garantia de um sistema de saúde eficiente e universal”.

“São estas as questões para as quais a política progressista deve dirigir os seus esforços, meus amigos, porque a habitação não é um luxo, não é um activo especulativo, é uma necessidade humana fundamental”, frisou.

Sobre habitação, Löfven argumentou que se trata de uma “política social, económica e climática” e que “todos merecem um lar seguro, um ambiente estável e condições de vida digna”.

O antigo líder do Governo da Suécia defendeu que “os jovens de toda a Europa precisam de poder vivenciar a sensação” de ter uma casa própria e lamentou que “em muitas parte da Europa o acesso à habitação esteja a tornar-se mais difícil” por que a “oferta não acompanhou a procura”.

Em relação ao custo de vida, Löfven afirmou que um “partido que trabalha para o povo é um partido que se posiciona firmemente ao lado dos trabalhadores” e que essa defesa dos direitos laborais passa pelo reforço dos salários e da proteção social e pelo confronto das “causas profundas do aumento do custo de vida”.

Stefan Löfven alertou também para a importância de preservar a saúde como um direito universal, referindo que “na Suécia partes dos sistema de saúde foram privatizadas por Governos e partidos conservadores” e isso resultou no seu enfraquecimento.

“Quando estes sistemas se tornam profundamente comercializados, torna-se muito difícil reconstruir o modelo público. E é por isso que gostaria de dizer algo muito claramente aos nossos amigos portugueses hoje aqui presentes: protejam o vosso Sistema Nacional de Saúde. Porque, uma vez enfraquecidos, os sistemas públicos de saúde robustos tornam-se extremamente difíceis de reconstruir”, avisou.

Antes, interveio o presidente da Federação Distrital de Viseu do PS, Armando Mourisco, que afirmou que a vitória dos socialistas no município nas últimas autárquicas foi o “derrube de um muro” e a “prova de que os viseenses confiam no PS para liderar o seu destino”.

Armando Mourisco considerou que os socialistas se reúnem neste Congresso por acreditarem que “Portugal pode e deve ser um país mais justo, mais solidário e mais ambicioso” e disse a José Luís Carneiro que recebe agora “o testemunho de um partido que está pronto para as batalhas que aí vêm”.

Entre estas batalhas, o socialista referiu o que disse ser uma “direita incapaz de resolver os problemas do país”, um “Governo e uma coligação que o apoia cada vez mais radicalizada e parecida com os seus amigos da extrema-direita”.

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