Presidente da ANA: filas no aeroporto de Lisboa por falta de agentes de fronteira são um “problema seríssimo”

Wilson Ledo , em Macau*
3 dez, 06:03
José Luís Arnaut (APAVT)

Em Macau, José Luís Arnaut vincou que, se a escolha tivesse recaído sobre o Montijo, haveria hoje um novo aeroporto a funcionar. Alcochete, se tudo correr bem, só em 2035: “o que pudermos atalhar, vamos atalhar”.

O presidente da ANA Aeroportos considerou que as longas filas de espera no aeroporto de Lisboa, devido à falta de agentes de controlo de fronteiras, são “um problema seríssimo”, atirando para o Governo a resolução da mesma.

“Há um constrangimento que não depende de nós, que é o problema das fronteiras. É um problema seríssimo, que não está nas nossas mãos. E a situação é tão delicada e caricata”, afirmou José Luís Arnaut em Macau, no 50º congresso da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT)

O responsável lembrou que o contrato de concessão previa que, do lado do Estado, houvesse “serviços e tempos mínimos” no que respeita a fronteiras e alfândegas, mas que tal nunca chegou a ser efetivado.

“Há um problema de recursos humanos objetivos. E um problema de gestão de recursos humanos existentes”, reforçou.

Imagens do caos no aeroporto de Lisboa nos últimos dias (DR)

Na resposta, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, admitiu que as filas de espera no aeroporto de Lisboa são “um embaraço para o Governo” e prometeu “redesenhar toda a zona de partidas e chegadas” até junho de 2026, com um reforço dos canais de passagem.

José Luís Arnaut explicou que a falta de efetivos no controlo de fronteiras é notória nos primeiros voos da manhã: “no momento em que reforçam, já chegaram os aviões das sete e das oito da manhã, que são mais mil a 1.200 passageiros. Ainda não estão digeridos os passageiros das cinco e das seis da manhã e carregamos nos outros”.

“Tudo isto cria uma irracionalidade e uma má experiência de aeroporto que nos deixa constrangidos”, resumiu.

“Se a história tivesse sido outra, o aeroporto do Montijo estaria a funcionar”

José Luís Arnaut explicou que as obras para expandir a capacidade na Portela, avaliadas em 200 milhões de euros, deverão estar prontas em 2027. Ainda assim, não escondeu a vontade de uma outra alternativa mais rápida a Alcochete: o Montijo.

“Se a história tivesse sido outra, neste momento, o aeroporto do Montijo estaria a funcionar e Lisboa estaria a crescer. A vontade de Pedro Nuno Santos [ex-ministro socialista com a tutela] não foi cumprida, o que está a prejudicar amplamente a economia nacional”, argumentou.

A tese foi desmontada depois por Hugo Espírito Santo. “Acho que temos de acabar com a falácia do Montijo. O atual aeroporto é um erro, do ponto de vista daquilo que é a indústria hoje. Estamos a correr um risco e temos de ter esta noção. Em 2025 caíram dois aviões: um em Washington, outro na Índia. Ter um aeroporto em que cada aeronave sobrevoa 400 mil habitantes é um erro, um risco. Fazermos um segundo aeroporto complementar, que ia voar sobre 200 mil habitantes, era por um erro sobre um erro”, atirou.

A perspetiva é de que o novo aeroporto em Alcochete esteja pronto em 2035. “O que pudemos encurtar, vamos encurtar. O que pudermos atalhar, vamos atalhar, começar a obra o mais depressa possível”, prometeu o presidente da ANA Aeroportos.

*o jornalista viajou para Macau a convite da APAVT

Economia

Mais Economia