Covid-19: os dois fatores decisivos para não voltarmos à pressão hospitalar do inverno passado

28 dez 2021, 20:23

Nunca houve tantos casos diários de covid-19 em Portugal como os que se registaram esta terça-feira, mas isto não significa imediatamente que vamos voltar a um cenário como o do inverno passado. Quem o diz é o presidente do Colégio de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos à CNN Portugal, José Artur Paiva 

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Portugal vai ter um aumento do número de casos de covid-19 nos próximos tempos, facto que está a ocorrer à custa de um aumento da transmissão da variante Delta e com o aparecimento da variante Ómicron, que se está a tornar dominante e que tem uma transmissibilidade muito superior. Para José Artur Paiva, diretor de Medicina Intensiva do Hospital São João, este aumento "não é uma surpresa" e significa que o sistema hospitalar "tem de estar preparado para as consequências deste aumento de casos".

Isso quer dizer que vamos regressar ao cenário do inverno passado? "Não é provável que isso aconteça", refere o especialista. Mas haver pressão significativa ou não no sistema hospitalar decorre destas atitudes: rastreio e isolamento sempre que se verificar um caso positivo e aceleração do processo de vacinação da terceira dose.

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Ainda assim, o também presidente do Colégio de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos deixa uma mensagem de "tranquilidade" porque "há folga de resposta": o sistema hospitalar está ainda com uma capacidade adicional de resposta à medicina intensiva e muito intensiva do lado covid-19, com taxas de ocupação entre os 65% e 70%. "A pressão atualmente não está propriamente no internamento e nas UCI, mas noutras áreas, nomeadamente no rastreio e na testagem e na capacidade que quebrarmos as cadeias de transmissão".

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"E é aqui que se vai jogar o futuro", frisa o especialista: "Haver pressão ou não no sistema hospitalar vai resultar da nossa capacidade de fazermos isolamento dos casos positivos nas primeiras 24 horas e termos uma boa capacidade de testagem e de rastreio e isolamento dos contactos".

O especialista refere que esta nova vaga vai determinar um aumento do número de casos que necessitam de hospitalização e medicina intensiva, embora num percentual muito inferior ao das ondas anteriores.

E isso significa também ser necessário acelerar o processo de vacinação da terceira dose, frisa José Artur Paiva, salientando que o reforço "realmente confere uma proteção muito grande e muito adicional dos que são mais frágeis". O especialista lembra ainda que, mesmo para as pessoas com mais de 80 anos, a dose de reforço reduz o risco de morte para metade quando comparada com as pessoas que têm duas doses da vacina.

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