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"Penso que foi uma escolha deliberada": Jornalista da CBS denuncia despedimento após reportagem sobre deportações de Trump

Agência Lusa , TFR
28 mai, 06:56
Sharyn Alfonsi, correspondente do programa "60 Minutes", em 9 de novembro de 2022, em Austin, Texas. (Foto de Marla Aufmuth/Getty Images para a Conferência das Mulheres do Texas)
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De acordo com a correspondente do ’60 Minutes’, a CBS News terá recusado renovar o contrato após a sua reportagem sobre a deportação de homens venezuelanos para uma prisão em El Salvador

A jornalista norte-americana Sharyn Alfonsi, do programa de investigação ’60 Minutes’ da cadeia de televisão CBS, denunciou que o seu contrato foi cancelado após a polémica reportagem sobre deportações de imigrantes pelo Governo de Donald Trump.

Numa entrevista ao The New York Times divulgada na quarta-feira e citada pela estação NBC News, Sharyn Alfonsi defendeu que o término do seu contrato "passa uma mensagem assustadora a toda a redação".

De acordo com a correspondente do ’60 Minutes’, a CBS News terá recusado renovar o contrato após a sua reportagem sobre a deportação de homens venezuelanos para uma prisão em El Salvador pela administração Trump, que foi abruptamente retirada do ar no final do ano passado.

"Penso que foi uma escolha deliberada penalizar uma jornalista por se recusar a censurar uma reportagem precisa”, sublinhou.

O programa ‘60 Minutes’ acabou por exibir a reportagem de Alfonsi em janeiro, após um adiamento de última hora no final de dezembro, que a correspondente alegou não ter sido “uma decisão editorial”, mas sim política.

A reportagem não incluiu entrevistas em vídeo com responsáveis do governo de Donald Trump, mas teve declarações da Casa Branca e do Departamento de Segurança Interna que não faziam parte da reportagem inicialmente retirada.

A peça apresentou entrevistas com homens que foram deportados dos EUA para o Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT, na sigla em inglês), em Tecoluca, El Salvador.

Os entrevistados descreveram tortura e abusos físicos e sexuais no complexo.

Numa reunião editorial em 22 de dezembro, na manhã seguinte à retirada da reportagem, a editora-chefe da CBS News, Bari Weiss, disse que tinha retido a peça “porque não estava pronta”, segundo uma fonte citada pela NBC News.

“Embora a reportagem apresentasse depoimentos impactantes sobre tortura no CECOT, não representava um avanço significativo — o The New York Times e outros órgãos de comunicação já tinham feito trabalhos semelhantes”, indicou Weiss à equipa da CBS News, de acordo com a mesma fonte.

Weiss é ex-colunista e editora do The New York Times e lançou o 'site' The Free Press em 2021.

A Paramount Skydance, proprietária da CBS, adquiriu o The Free Press e contratou Weiss como editora-chefe da CBS News em outubro.

Alfonsi, que se estreou no ‘60 Minutes’ em 2015, continuou a aparecer no programa de jornalismo de investigação até ao final da sua 58.ª temporada, que terminou em 17 de maio.

É a segunda correspondente do ‘60 Minutes’ a abandonar o programa desde que Weiss se tornou editora-chefe da CBS News, seguindo-se a Anderson Cooper, que se despediu este mês após 20 anos na estação.

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