"O Cris nunca vai ser um problema", o Bernardo nem chegou a ser e a seleção "tem de jogar o dobro": Jesus é o novo selecionador nacional

10 jul, 16:28

«Egos? É mais difícil trabalhar com quem acha que é um grande jogador...»

«No ano passado substitui o Ronaldo 16 vezes»

«Ainda não falei com o Ronaldo, mas nunca vai ser um problema»

«O futebol não é uma ciência exata, mas é uma ciência de cada um»

«Onde chego é para vencer e esta casa é igual»

«Sou um treinador de 12 milhões e tenho um grande orgulho em ser português»

A chegada de Jorge Jesus à Cidade do Futebol

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Treinador diz-se empenhado na vitória, apesar das diferenças que poderá haver na hora de treinar uma seleção e não um clube. Jorge Jesus promete mudanças, mas não necessariamente nos nomes em campo. Cristiano Ronaldo, garantiu, jogará enquanto tiver condições – mas nos termos do próprio selecionador

“Agora sou um treinador de 12 milhões, do povo português, que está ansioso por poder ganhar”. Foi assim que Jorge Jesus foi apresentado esta sexta-feira enquanto novo selecionador, numa conferência onde se falou sobretudo das diferenças de treinar um clube e uma equipa nacional e da relação com Cristiano Ronaldo e Bernardo Silva.

Para Jesus, foi-lhe dada a “oportunidade de treinar uma das melhores seleções do mundo”.

"Vencer não passa só pelo treinador, pelos jogadores, pelo jogo dentro de campo. Sempre fui um treinador que é mais treinador para além daquilo que é o campo”, garantiu.

A expectativa é de que a primeira vitória aconteça já a 24 de setembro, contra o País de Gales, logo “a ganhar”.

Diferença entre clube e seleção

Jesus foi, várias vezes, questionado sobre o facto de estar habituado a treinar clubes e sobre as diferenças que enfrentará agora a treinar uma seleção.

“Há muita tendência de dizer que um treinador de seleção é diferente de um treinador de equipa. Não é verdade. A única verdade que tem é que não tem tantos dias de trabalho como tem num clube”, notou Jesus, para falar do seu “método”.

“Preparei-me para este dia”, garantiu.

“O treino é treino”, reagiu depois Jesus, acrescentando que as novas tecnologias trazem também uma nova dimensão a esta tarefa.

Jorge Jesus fugiu a uma avaliação do trabalho de Roberto Martínez no último mundial, considerando que tal não seria elegante, mas ainda deixou uma garantia: a seleção “tem de jogar o dobro”. "Se não jogar o dobro, fica tudo igual”, sublinhou.

Jesus promete aplicar o seu próprio método (Manuel de Almeida/Lusa)

Relação com "Cris" e Bernardo Silva

Um dos nomes mais repetidos foi o de Cristiano Ronaldo. Jesus reconheceu que ainda não falou com o capitão português. “O Cris nunca vai ser um problema para a seleção nem para mim”, afiançou.

Tendo trabalhado juntos no Al-Nassr, Jesus percebeu que é “facílimo trabalhar” com CR7, mas prometeu que será o técnico a definir as condições da relação de ambos. E deu um exemplo: no campeonato passado, deu ordem para substituir Cristiano Ronaldo “16 vezes”.

“Não olho para um jogador pela idade. Eu não olho para o Cris pela idade”, insistiu.

Outro dos nomes referidos foi o de Bernardo Silva, perante os rumores de uma relação difícil com o técnico. “Não é um problema, já falei com ele”, afastou Jesus.

“Foi mais aquilo que se falou do que aquilo que aconteceu no treino. [Disseram] que quis pô-lo a lateral-esquerdo, não foi bem assim. Foi na pré-época. O Djuricic lesionou-se e eu fiz uma alteração com o Bernardo naqueles últimos minutos, naquela posição, mas ele ainda estava no princípio. Agora é um jogador formado, com nível mundial, e o Pep [Guardiola] também o meteu muitas vezes lá”, argumentou Jesus.

Renovação, mas não a curto prazo

Jesus confessou que nos próximos quatro anos haverá renovação na equipa, mas não na escala que muita gente antecipa.

“Neste momento”, notou, não é necessária uma remodelação na seleção: "não é uma equipa velha, com uma média de idades de 28 anos".

Já sobre os eventuais egos, considerou que “é muito mais difícil trabalhar com jogadores que julgam que são grandes do que com aqueles que são grandes jogadores”.

Jorge Jesus e Pedro Proença (Manuel de Almeida/Lusa)

"Uma nova era"

A apresentação de Jesus foi precedida por uma intervenção de Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol.

“Hoje iniciamos uma nova era na Federação Portuguesa de Futebol: uma era de ambição, do tamanho do nosso talento”, começou.

Proença considerou que o perfil de Jesus ilustra os desejos da FPF para esta “nova fase”:  “liderança, ambição e resultados”.

“Não temos medo de assumir que queremos ser a melhor seleção do mundo”, disse.

Para Proença, Jesus é “um treinador exigente, unânime, um dos melhores treinadores da nossa história”. “Mais importante, um treinador habituado a jogar sempre, sempre para ganhar.”

E concluiu: “Cumpres um dos teus sonhos: ser selecionador nacional. O teu sonho é também o sonho da FPF e de todos aqueles que aqui trabalham: jogar mais, melhor, ser sempre Portugal.”

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