Ex-namorada de Johnny Depp diz que ator era "controlador". Ex-agente diz que consumo de drogas e de álcool fez com que "as pessoas ficassem relutantes em contratá-lo"

20 mai, 15:38
Depp vs Heard (EPA/SHAWN THEW)

Defesa de Amber Heard exibiu em tribunal os depoimentos de pessoas que tiveram ou relações pessoais ou relações profissionais com o ex-marido. Maioria recordou o abuso de álcool e drogas por parte de Johnny Depp, afirmando que isso prejudicou o ator

Novo dia de interrogatório por parte da defesa de Amber Heard e a primeira testemunha a ser ouvida foi a atriz Ellen Barkin que namorou com Johnny Depp nos anos 90. Num testemunho pré-gravado, exibido esta quinta-feira em tribunal, a atriz revelou que os dois estiveram juntos durante cinco meses, numa relação que, segundo Barkin, foi mais sexual do que romântica.

De acordo com a Associated Press, Barkin recordou ainda o ex-namorado como "controlador, ciumento e um homem chateado", que a questionava sobre o que fazia, com quem estava e a acusava de estar com outros homens.

"Uma vez, tinha um arranhão nas minhas costas e ele ficou muito, muito chateado, porque insistia que eu o tinha feito ao ter sexo com outra pessoa que não ele", afirmou Barkin, acrescentando que, já naquela época, Depp "estava sempre a beber ou a fumar charros" ou outro tipo de drogas ilegais.

Ellen Barkin, ex-namorada de Johnny Depp (EPA)

Barkin que contracenou com Depp em “Fear and Loathing in Las Vegas”, contou ainda um episódio em que, enquanto discutia com uns colegas num quarto de hotel, o ator atirou uma garrafa de vinho na sua direção. No entanto, a atriz diz que não sabe porque Depp o fez.

Os atrasos constantes de Depp

Outra das testemunhas ouvida na quinta-feira foi Tracey Jacobs, que foi agente de Depp durante cerca de 30 anos. Segundo a testemunha, também chamada pela defesa de Amber, nos últimos anos em que trabalharam juntos, o ator "chegava constantemente atrasado em praticamente todos os filmes". 

"Fui muito honesta com ele e disse-lhe «tens de parar de fazer isto, está a prejudicar-te». E prejudicou", afirmou. No entanto, afirmou, que Johnny Depp nunca foi acusado de agredir fisicamente uma mulher nem nunca viu marcas de agressão em Amber Heard.

Segundo a agente, Depp sempre foi um talento extraordinário, mas o seu comportamento começou a ficar cada vez menos profissional ao mesmo tempo que o consumo de drogas e de álcool ia aumentanto, o que acabou por levar ao seu despedimento em 2016.

A defesa de Amber Heard tenta provar que foi o comportamento do ator que levou a que este fosse afastado dos filmes e não o artigo que ex-mulher escreveu para o Washington Post. 

Tracey Jobs afirmou ainda que a causa do despedimento do ator "espalhou-se pela cidade" e fez com que "as pessoas ficassem relutantes em contratá-lo".

Milhares para ficar sóbrio

Os testemunhos que se seguiram foram concentrados em pessoas que trabalharam com Depp, com Joel Mandel, ex-gestor de conta do ator, a depor através de um vídeo gravado previamente.

Segundo Joel, os filmes da sequela "Piratas das Caraíbas" catapultaram Johnny Depp "para um nível de sucesso completamente diferente", o que significou "mais trabalhos". 

"Significou mais empregados, significou comprar propriedades adicionais. … Significava uma vida maior e mais cara", afirmou Mandel. 

No entanto, a testemunha recorda que as coisas começaram a mudar em 2010. 

"Tornou-se claro, com o passar do tempo, que existiam problemas com álcool e drogas. E isso traduzia-se em mais comportamentos erráticos, mais comportamentos stressantes, mais vezes em que era difícil ter o tipo de conversas necessárias que eu precisava para fazer o meu trabalho", afirmou, acrescentando que Depp chegou ao ponto de gastar cem mil dólares por mês em médicos para o ajudarem a ficar sóbrio.

Joel Mandel recorda ainda que, pouco depois, Depp passou a gastar 300 mil dólares numa equipa médica para ficar sóbrio e que havia tempos em que o ator chegava a gastar milhares de dólares em medicamentos.

“Os níveis de gastos aumentaram muito, muito, muito substancialmente e exigiam que esse nível de rendimentos incrivelmente alto fosse mantido. E quando diminuiu, tornou-se insustentável", acrescentou o ex-gestor, acrescentando que começou a ficar extremamente preocupado com as finanças do ator em 2015 e acabou despedido em 2016.

Recorde-se que Johnny Depp processou Joel Mandel e o irmão de fraude e negligência, em 2017, dizendo que administraram mal o seu dinheiro, fazendo empréstimos sem a sua autorização e ocultando a degradação das suas finanças, desaparecendo com 650 milhões de dólares. As as duas partes chegaram a um acordo amigável confidencial em 2018, sem que o caso chegasse a julgamento.

Questionado em tribunal se se tinha apropriado de 600 milhões de dólares de Johnny Depp, a testemunha arrolada pela defesa de Amber disse que não, que não se tinha apropriado de nenhum valor. Sentado ao lado da equipa de advogados, Johnny Depp não conseguiu conter-se e riu-se.

O conselho de um amigo para Depp: "Tu não estás bem"

O último testemunho a ser ouvido foi do músico Bruce Witkin, amigo de Depp durante cerca de 40 anos. Segundo Witkin, o ator sentia ciúmes das suas relações, especialmente quando Heard estava ausente a filmar ou "a fazer algo em que ele não podia estar por perto".

Sobre as agressões, o músico recordou que quando trabalhou com Depp no documentário sobre o guitarrista Keith Richards, chegou a ver Amber Heard com hematomas num braço e Depp com um lábio inchado. No entanto, nunca viu o ex-casal a agredir-se.

Witkin admitiu ainda ter tentado ajudar o amigo a lidar com o abuso de álcool e drogas e aconselhou-o a procurar ajuda. "Ele dizia «vou ficar bem, vou ficar bem». Bem, tu não estás bem", afirmou Witkin, recordando que a irmã de Depp, Christi Dembrowski, estava constantemente preocupada com o ator. 

"Toda a gente, penso eu, lá no fundo estava [preocupado], mas... as pessoas não dizem muito. Vão tentar, mas não querem perder o emprego. Não estou a dizer que todos se enquadram na categoria. Mas é uma coisa estranha naqueles que rodeiam pessoas como ele. Todos querem alguma coisa", recordou.

Em 2017, Witkin e Depp começaram a afastar-se depois do ator ter enviado uma mensagem ao músico a dizer que este o tinha "esfaqueado nas costas" e "falado mal" dele. Quando questionou o que é que Depp queria dizer, "ele não se explicou".

"E não o tenho visto muito desde 2018", afirmou.

O caso, que começou a 11 de abril, deve durar seis semanas a ser julgado. Ao longo de quatro dias, Johnny Depp prestou depoimento, sendo confrontado com mensagens, vídeos e áudios das discussões entre o casal. Também Amber Heard foi ouvida ao longo de quatro dias.

Neste processo de difamação, Depp exige 46 milhões de euros à ex-mulher, tendo a atriz avançado com acusação semelhante, mas exigindo 93 milhões. 

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