10 frases que marcam o julgamento de Johnny Depp e Amber Heard

21 mai, 17:00

Johnny Depp e Amber Heard, que se divorciaram em 2017, voltaram à sala do tribunal na sequência do processo em que o ator exige 46 milhões de euros à ex-mulher por difamação, tendo a atriz avançado com acusação semelhante, mas exigindo 93 milhões. O caso, que começou a 11 de abril, está prestes a chegar ao fim. Recordamos aqui as frases que marcaram o julgamento até agora

"Diz ao mundo que Johnny Depp é uma vítima de violência doméstica"

Foi a primeira frase do julgamento a ganhar eco na imprensa. Durante o primeiro dia de audição do ator, os seus advogados reproduziram a gravação de uma conversa entre o ex-casal que, a pedido da atriz, se encontra num quarto de hotel em São Francisco.

No áudio, é possível ouvir-se Depp a propor uma "solução pacífica" para o divórcio: uma carta conjunta em que o casal diz que se amava e que foi criada uma tempestade em volta deles pela imprensa. No entanto, a atriz resiste à ideia e desafia o ex-marido a ir a público com a sua afirmação de que tinha sido ele a sofrer abusos. 

“Diz ao mundo, Johnny. Diz-lhes que eu, Johnny Depp - um homem -, sou uma vítima também de violência doméstica.”

Questionado pela advogada sobre o que responderia se fosse questionado sobre se era vítima de violência doméstica, Depp respondeu: "Sim, sou".

"Vamos afogá-la antes de a queimarmos"

No mesmo dia, Johnny Depp foi ainda confrontado com mensagens que trocava com os amigos sobre a relação com Amber Heard e em que afirmava que era um "monstro" e que queria afogar e queimar a ex-mulher. “Vamos afogá-la antes de a queimarmos. Depois, vou f**** o seu cadáver queimado para ter a certeza de que ela está morta”.

Johnny Depp no primeiro dia de depoimento

Entre os textos, estavam vários enviados pelo ator a Paul Bettany, onde confessava transformar-se depois de ter "bebido demais". Na trocas de texto, Johnny Depp terá dito mesmo que a ex-mulher era uma "p*** imunda", que queria ver morta.

Questionado em tribunal sobre as mensagens que trocou, Depp afirmou não estar "orgulhoso de nenhum dos termos que usava nos momentos de raiva”, mas acabou por dizer que as mensagens eram uma referência "direta" a um episódio de Monty Python (série de comédia britânica) e que se tratava apenas de "humor irreverente e abstrato".

"É um filme que todos vimos quando tínhamos dez anos. É apenas humor abstrato e irreverente. O texto sobre queimar a senhora Heard vem de Monty Python e o episódio é sobre queimar bruxas", afirmou perante o tribunal, cita o The Washington Post.

"Nunca bati em nenhuma mulher na minha vida"

Johnny Depp, que foi ouvido em tribunal ao longo de quatro dias, garantiu ainda em tribunal que nunca bateu em Heard ou em outra mulher, dizendo que o que aconteceu na relação foi o contrário, com Amber Heard a tornar-se abusiva com o passar do tempo, chegando mesmo a fazer bullying e a chamar-lhe "nomes que o diminuiam".

"Se eu ficasse para discutir, mais tarde ou mais cedo, tinha certeza que iria se transformar em violência, e muitas vezes aconteceu", afirmou.

Garantindo ser "obcecado com a verdade", Johnny Depp disse ainda que as alegações contra ele de violência doméstica eram "perturbadoras e hediondas" e “não baseadas em nenhuma espécie de verdade”.

"Nunca cheguei ao ponto de bater na Sra. Heard de forma alguma. Nem nunca bati em nenhuma mulher na minha vida".

"Não a identifiquei como vítima de violência doméstica"

Depois de Depp ser ouvido, foi a vez de a defesa do ator chamar as testemunhas, entre as quais a agente da polícia de Los Angeles que tomou conta de ocorrência na casa do casal, a 21 de maio de 2016, que aconteceu dias antes da atriz pedir o divórcio e fazer um pedido de ordem de afastamento contra o ator.

Num depoimento pré-gravado, Melissa Saenz afirmou que quando chegou à residência conseguiu perceber que a atriz tinha estado a chorar, mas que não tinha sinais de estar ferida.

Testemunho de Melissa Saenz é emitido em tribunal (EPA/BRENDAN SMIALOWSKI)

“O marido não estava no local e a vítima disse-nos que tinha tido uma discussão e que não nos ia dar mais nenhuma informação. E, porque não identificámos um crime, entregámos-lhe um cartão de visita, dizendo-lhe que podia contactar-nos depois se mudasse de ideias e quisesse cooperar", afirmou Saenz. 

A agente afirmou ainda não ter observado qualquer violência contra a atriz, nem ter visto qualquer prova do crime durante o tempo que esteve no local.

"Não a identifiquei como vítima de violência doméstica”, disse, citada pela EFE, acrescentando que a atriz "tinha a cara vermelha e inchada de chorar".

"Ele foi contra uma porta, ou uma porta foi contra ele"

Malcolm Connolly, segurança de longa data de Johnny Depp, também foi ouvido em tribunal e afirmou que Amber Heard "ficava gelada num estalar de dedos" e revelou que, a certa altura, começou a reparar em marcas de violência no ator. "Eram arranhões no pescoço, talvez um lábio inchado. Tinha uma nódoa negra no olho. Começou a ser mais regular. Não todas as semanas, mas acontecia". 

Johnny Depp com Malcolm Connolly (Getty Images)

O segurança contou ainda que, durante a lua de mel, em que o casal viajou de Banguecoque para Singapura de comboio, Depp tinha marcas debaixo do olho. 

"Ele foi contra uma porta, ou uma porta foi contra ele", afirmou, fazendo a sala de tribunal rir-se. Connolly lembrou ainda que o ator "não estava, de todo, feliz" durante a viagem.

"Não tenho palavras para descrever o quão doloroso isto é"

No primeiro depoimento, Amber Heard não conseguiu conter a emoção e, perante o tribunal, confessou ser "horrível ter de reviver tudo" durante semanas. A atriz começou o seu depoimento quatro semanas depois do início do processo de difamação movido pelo ator e, ao longo de quatro dias, recordou as alegadas situações de violência física, sustentadas com provas fotográficas e documentos médicos.

"Não tenho palavras para descrever o quão doloroso isto é", admitiu. 

"Ele estava a enfiar aquilo dentro de mim uma e outra vez"

A frase, proferida por Amber Heard, enquanto olhava para baixo, abanava a cabeça e soluçava, recorda uma das agressões que terá sido cometida por Depp na casa da Austrália e que Dawn Hughes, a especialista em violência interpessoal chamada pela defesa da atriz, já tinha referido em tribunal. "Ele estava a enfiar aquilo dentro de mim uma e outra vez", contou Heard, descrevendo um momento em que o ator tê-la-á penetrado com uma garrafa de vidro. 

Amber Heard emociona-se em tribunal (EPA)

"Lembro-me de olhar à volta, olhar para todas as garrafas partidas, para os vidros estilhaçados e lembro-me de não me querer mexer porque não sabia se aquela garrafa que ele tinha dentro de mim estava partida", afirmou a atriz, recordando que tudo aconteceu depois de uma grande discussão na qual o ator, que se encontrava sob o efeito de álcool e drogas.

Este não foi o único episódio recordado por Amber Heard que, num discurso emocionado, disse ainda que o ex-marido a acusava de esconder droga e que Johnny Depp chegou mesmo a "fazer uma busca" na suas partes íntimas. Não especificou o ano em que isso se passou, mas garantiu que aconteceu durante umas férias no Hicksville Trailer Palace, em Joshua Tree, Estados Unidos. 

"Dei-lhe uma faca como presente de aniversário" 

Depois do depoimento de Amber Heard, foi a vez de a defesa de Depp interrogar a atriz. A advogada Camila Vasquez interrogou Heard sobre o presente que ofereceu ao ex-marido em 2012 e pediu a um oficial de justiça que entrasse na sala com a faca que tem gravada a mensagem "Hasta la muerte" (Até à morte).

"Esta é a faca que ofereceu ao homem que se embebedava e a agredia, correto?", perguntou a advogada, questionando ainda Heard se tinha oferecido a faca ao ex-marido num período em que este era violento.

Heard explicou que, em 2012, Depp andava "dentro e fora" da sobriedade, o que fez com que a advogada insistisse no assunto e perguntasse se tinha oferecido "uma faca de presente" ao ex-marido "durante estes ciclos de violência".

"Dei-lhe uma faca como presente de aniversário no início da nossa relação, perto de 2012", respondeu a atriz, acrescentando depois que "não estava preocupada" que ele a fosse "esfaquear".

"Eu bati-te, não te dei um soco"

Durante o interrogatório, Amber Heard afirmou que nunca agrediu Johnny Depp e que, se foi fisicamente violenta com o ex-marido, foi para se defender das suas agressões. Perante o tribunal, a atriz disse mesmo que a violência se tornou algo normal no casamento, mas justificou os próprios atos como mecanismos de defesa, e chegou mesmo a afirmar que o ex-marido a diminuiu como mulher.

“Eu não agredi o Johnny na Austrália. Nunca agredi o Johnny”.

No entanto, durante o julgamento, foram várias as vezes em que foi exibido um áudio de uma discussão do ex-casal em que é possível ouvir Amber Heard a admitir ter batido em Depp.

"Eu bati-te, não te dei um soco. És um bebé do caraças", afirma a atriz no áudio. Questionada em tribunal, a atriz afirmou que teve de "lhe bater" para se defender.

"Devia ver como estava debaixo da maquilhagem"

Depois de uma pausa de uma semana no julgamento, Amber Heard voltou a testemumhar contra Johnny Depp, relatando os últimos meses de casamento do casal.

Amber Heard viu serem-lhe apresentadas fotografias das marcas de agressão e da cara inchada, que resultaram da última discussão do casal, e revelou que nunca foi vista em público com as marcas dada a sua experiência em disfarçar hematomas com maquilhagem.

“Não vou andar por Los Angeles com hematomas no rosto”, disse ela.

A advogada de Depp, Camille Vasquez, questionou Heard sobre as múltiplas fotos tiradas nos dias seguintes à alegada agressão, em que a atriz surgia sem aparentes marcas.

"Devia ver como estava debaixo da maquilhagem", afirmou, acrescentando que usava gelo para reduzir o inchaço.

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