Tribunal Arbitral do Desporto rejeitou recurso apresentado pelo atleta ucraniano Vladislav Heraskevych
O Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) rejeitou esta sexta-feira o recurso do ucraniano Vladislav Heraskevych, que foi desclassificado dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina2026 por pretender competir com um capacete de homenagem a vítimas da guerra na Ucrânia.
«A câmara ad hoc do TAS rejeita o recurso e considera que a liberdade de expressão está garantida nos Jogos Olímpicos, mas não no local de competição, o que é um princípio sagrado», disse aos jornalitas Matthieu Reeb, secretário-geral do TAS.
A alemã Annett Rombach, árbitra única designada pelo TAS para dirimir o litígio, «fez questão de vincar que é sensível à celebração de Heraskevych e ao seu desejo de sensibilizar o luto e perdas sofridas pelo povo ucraniano e pelos atletas, devido à guerra», explica o TAS, em comunicado.
No entanto, ela «está orientada pelas linhas diretoras do COI no que se refere à expressão dos atletas», prossegue o texto, aludindo a que a Carta Olímpica prevê que os participantes são livres de expressão em conferências de imprensa ou na zona mista, mas devem abster-se de «qualquer propaganda política nos locais de competição ou pódios».
«A árbitra única considera que essas linhas diretoras asseguram um equilíbrio razoável entre o interesse dos atletas em exprimir opiniões e o interesse dos atletas em ter uma atenção sem partilhas pela sua prestação desportiva», prossegue o TAS, que destaca que, segundo Rombach, o atleta tinha outras possibilidades permitidas para atrair atenção, nomeadamente a utilização do capacete nos quatro treinos, como permitido pelo COI.
Vladislav Heraskevych, atleta de skeleton, foi ouvido durante duas horas e meia em Milão. Pedia ao TAS que fosse anulada a sua desclassificação, que considerou «desproporcionada e não fundada em violação técnica ou de segurança», além de lhe causar «prejuízo desportivo irreparável».
O atleta não quis utilizar outro capacete que não o seu, que honrava atletas mortos na guerra com a Rússia, e afastou o pedido do COI para que usasse um «capacete neutral».
No capacete em causa estavam evocados mais de vinte atletas e treinadores ucranianos que morreram durante a invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada a 24 de fevereiro de 2022.