Especialista em Parkinson esteve oito vezes na Casa Branca em oito meses. Registos confirmam encontro com o médico de Biden

CNN , Priscilla Alvarez, Camila DeChalus e Michael Williams
8 jul, 23:34
Joe Biden, presidente dos EUA (EPA via LUSA)

Um especialista de topo em doença de Parkinson teve uma reunião com o médico do presidente Joe Biden na Casa Branca no início deste ano, de acordo com os registos consultados pela CNN, embora as circunstâncias da reunião não sejam claras.

Kevin Cannard, neurologista do Walter Reed National Military Medical Center, reuniu-se com o médico da Casa Branca, Kevin O'Connor, na residência oficial do presidente em meados de janeiro, de acordo com os registos de visitas.

O especialista visitou a Casa Branca três vezes este ano, de acordo com os registos de visitantes: uma reunião em 17 de janeiro com O'Connor, e com outro funcionário em 26 de janeiro e 28 de março. Cannard visitou a Casa Branca pelo menos oito vezes no último ano, de acordo com os registos, começando em agosto e terminando com a reunião de 28 de março. Na prática são oito visitas em oito meses. Apenas a reunião de 17 de janeiro refere O'Connor como a pessoa que recebeu o clínico.

Questionado sobre a visita entre Cannard e O'Connor, o porta-voz da Casa Branca, Andrew Bates, disse que "uma grande variedade de especialistas do sistema Walter Reed visita o complexo da Casa Branca para tratar os milhares de militares que trabalham no local".

Essas visitas incluem uma de um neurologista todos os anos para o exame físico de Biden, confirmou o responsável, que garantiu que o presidente não foi visto por um neurologista durante o seu mandato fora do contexto do seu exame físico anual.

A secretária de imprensa Karine Jean-Pierre repetiu mais tarde que Biden tinha sido visto por um neurologista três vezes durante a sua presidência - uma vez durante cada um dos seus exames físicos - mas recusou-se a nomeá-los ou a explicar porque é que Cannard tinha visitado a Casa Branca oito vezes no referido período.

A responsável disse ainda que não iria nomear o médico por razões de segurança. Os perfis disponíveis ao público indicam Cannard como um especialista em neurologia que apoia a Unidade Médica da Casa Branca.

"Não vou partilhar nem confirmar nomes a partir daqui", garantiu Karine Jean-Pierre durante a conferência de imprensa, que rapidamente se tornou controversa, com a assessora a desviar as perguntas sobre a saúde do presidente: "Não importa o quanto me pressionem, não importa o quanto se zanguem comigo, não vou confirmar um nome, não importa se está mesmo no registo, não vou fazer isso a partir daqui".

Karine Jean-Pierre acrescentou que Biden nunca foi tratado ou tomou qualquer medicamento para tratar a doença de Parkinson.

Cannard - que trabalhou como neurologista para Walter Reed durante mais de uma década - visitou a Casa Branca várias vezes, de acordo com os registos de visitas, que não detalham as razões da visita, incluindo se o médico estava a visitar em referência a Biden ou a outra pessoa que trabalha na Casa Branca.

O último relatório de saúde de Biden, divulgado por O'Connor, indicava que o presidente tinha sido submetido a um rastreio de várias doenças neurológicas, incluindo a doença de Parkinson, com resultados negativos, tal como dois outros relatórios físicos do tempo de Biden como presidente.

A carta de seis páginas de O'Connor, divulgada depois de o presidente ter sido submetido ao seu último exame físico em fevereiro, refere que vários especialistas foram consultados sobre o exame físico, incluindo um especialista em neurologia.

Mais à frente pode ler-se que O'Connor convocou vários especialistas, incluindo um especialista neurológico em distúrbios de movimento não identificado, para analisar a marcha rígida de Biden, que havia sido observada desde o exame físico do presidente em novembro de 2021.

Essa equipa concluiu que o andar rígido de Biden era o resultado do "desgaste" da sua coluna vertebral e não de uma doença neurológica, escreveu O'Connor. Um exame "extremamente pormenorizado" não revelou quaisquer resultados consistentes com Parkinson, esclerose múltipla ou outras doenças neurológicas.

A notícia da visita de Cannard surge numa altura em que a idade, a condição física e a acuidade mental de Biden têm estado sob intenso escrutínio, na sequência do seu desempenho vacilante no debate presidencial de 27 de junho contra o antigo presidente Donald Trump.

Nos 11 dias que se seguiram a essa atuação, Biden teve de defender a sua posição no topo da lista de candidatos democratas e a sua capacidade de governar durante mais quatro anos, caso seja reeleito. Tanto a Casa Branca como Biden foram repetidamente questionados sobre os exames e consultas médicas efetuados nos meses que antecederam o debate e nos momentos que se seguiram.

Numa entrevista à ABC, na sexta-feira, perguntaram a Biden se tinha feito testes específicos de capacidade cognitiva. O presidente explicou que é consultado regularmente pelos médicos da Casa Branca e acrescentou que "ninguém disse que tinha de o fazer... eles disseram que estou bem".

O presidente vincou ainda que falou com o seu médico e que lhe foi dito que "está exausto". Biden disse que "ser presidente" significa "fazer um teste neurológico completo todos os dias".

Falando com Biden durante uma entrevista na segunda-feira de manhã, a apresentadora da MSNBC Mika Brzezinski perguntou especificamente se o presidente tinha sido submetido a algum teste recente para Parkinson. Biden confirmou que sim.

"Foi testado para alguma doença relacionada com a idade, pré-Parkinson ou algo do género, que possa explicar uma noite como aquela em que não conseguia terminar frases?", perguntou o apresentador da MSNBC.

Biden riu-se antes de responder: "Já tive antes".

O presidente acrescentou: "Estava a sentir-me tão mal antes do debate que, quando voltei, fizeram-me um teste - pensei que talvez tivesse covid, que talvez houvesse algo de errado, que tivesse uma infeção ou assim. Eles testaram-me, fizeram-me esses testes e eu estava bem".

A Casa Branca e a campanha de Biden atribuíram a culpa do fraco desempenho de Biden durante o debate à sua agenda de viagens lotada nas semanas anteriores - Biden foi a França para comemorar o aniversário do Dia D e a Itália para participar no G7 - e a uma constipação.

A Casa Branca disse inicialmente que Biden não tinha sido visto por um médico após o debate, mas voltou atrás depois de Biden ter dito a um grupo de governadores durante uma reunião na semana passada que tinha sido submetido a um exame médico após o debate e que estava bem.

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