“We love Joe”: Biden não está chateado com quem lhe pediu para desistir – e promete ser o “melhor voluntário” da campanha de Kamala e Walz

20 ago 2024, 07:00

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Joe Biden provou que quer contar para a campanha presidencial americana. Em Chicago, ao longo de 53 minutos de discurso na convenção democrata, lembrou que se candidatou em 2020 porque Trump "encorajou" os "neonazis, os supremacistas brancos" e que isso foi o limite. E Biden diz que essa "batalha pela alma da América" ainda está em curso: "A democracia prevaleceu mas deve ser preservada"

Apresentado pela sua filha, Ashley, o presidente dos EUA entrou em palco ao som de “Your love keeps lifting me higher and higher”, de Jackie Wilson, enquanto a multidão gritava “we love Joe” e “thank you, Joe”, momento que quase levou às lágrimas o chefe de Estado. Biden começou a sua longa declaração por lembrar os motivos que o levaram a apresentar a candidatura para 2020.

“Concorri à presidência em 2020 devido ao que vi em Charlottesville em agosto de 2017 (motins de extrema-direita). Extremistas a saírem das tocas, a carregarem tochas, as suas veias protuberantes, a carregarem suásticas e a cantar a mesma treta antissemita ouvida na Alemanha no início dos anos 30. Os neonazis, supremacistas brancos, o KKK, tão encorajados por um presidente na altura na Casa Branca (Donald Trump) que viam como aliado. Eles nem sequer se preocuparam em utilizar os seus capuzes. O ódio estava a desfilar na América. Velhos fantasmas a agitar velhas diferenças, a alimentar velhos medos, a dar oxigénio às velhas forças que procuravam para destruir a América”, disse o presidente americano. “Quando o presidente foi questionado sobre o que ele pensava que tinha acontecido, disse que ‘havia muito boa gente dos dois lados’. Meu Deus. Foi aí que me apercebi que não poderia ficar à margem”.

Os EUA, disse Biden, estão neste momento numa altura crucial para a sua sobrevivência. “Estamos a enfrentar um ponto de inflexão, um dos raros momentos na história em que as decisões que tomamos agora determinarão o futuro da nação e do mundo durante as próximas décadas. Não é hipérbole, é mesmo literalmente. Estamos numa batalha pela alma da América.”

No entanto, o presidente mostrou-se otimista quanto ao futuro, lembrando que vários desafios que enfrentou no início do seu mandato, como a pandemia de covid-19 e a elevada taxa de desemprego, estão agora para trás. “Os nossos melhores dias não estão no passado, mas sim à nossa frente. De coração cheio estou aqui à vossa frente nesta noite de agosto para reportar que a democracia prevaleceu. A democracia cumpriu e agora deve ser preservada”, afirmou.

Numa espécie de balanço do seu mandato, Joe Biden reafirmou o seu compromisso com a reconstrução da classe média, a “espinha dorsal” da América, e mostrou satisfação com o rótulo de presidente mais amigo dos sindicatos em toda a história dos EUA. “Quando os sindicatos estão bem, o país está bem”, apontou, exultando também o facto de ter sido o presidente “de todos os americanos” e de as suas medidas terem beneficiado mais os estados republicanos do que os estados democratas.

“Amo mais o meu país e temos de preservar a nossa democracia”.

Os ataques a Donald Trump não se ficaram por Charlottesville, e Biden lembrou o falhanço do antigo presidente e atual candidato republicano em determinadas matérias. "Como é que podemos ter a economia mais forte do mundo sem as melhores infraestruturas do mundo? Donald Trump prometeu infraestruturas todas as semanas durante quatro anos e nunca construiu rigorosamente nada”, atacou. O líder norte-americano criticou também o papel de Trump na reversão do direito federal ao aborto, ao nomear juízes conservadores para o Supremo Tribunal, e a revolta de 6 de janeiro de 2021, quando apoiantes do antigo presidente tentaram tomar o Capitólio para impedir a tomada de posse de Biden.

“Nesse dia, quase perdemos tudo o que somos como país, e essa ameaça, não é uma hipérbole, essa ameaça continua bem viva. Donald Trump diz que se recusará a aceitar os resultados das eleições se voltar a perder. Não podemos deixar que o tente fazer outra vez”.

Biden deixou para a parte final do discurso a passagem de testemunho para Kamala Harris, e referiu que não está magoado por lhe terem pedido para desistir da corrida à Casa Branca.

“Toda esta conversa sobre como estou chateado com todas as pessoas que disseram que eu devia desistir não é verdade”, disse. “Amo mais o meu país e temos de preservar a nossa democracia”.

Em jeito de brincadeira, Biden disse saber que Kamala “vai ser uma grande presidente” pois, “como muitos dos nossos melhores presidentes, também foi vice-presidente”, e prometeu ser “o melhor voluntário” para a campanha de Harris e Tim Walz.

“Prometo que serei o melhor voluntário que a campanha de Harris e Walz já viu. Eles entendem que a América deve continuar a ser um lugar de possibilidades - não apenas para alguns de nós, mas para todos nós.”

Após o discurso, os candidatos democratas subiram ao palco para cumprimentar Biden, e foi possível ver Kamala Harris a dizer “adoro-te” (“I love you”) ao presidente norte-americano.

Manifestantes pró-Palestina tentaram fazer-se ver e ouvir

Durante a parte inicial do discurso, várias pessoas na plateia levantaram uma faixa com as palavras “Stop Arming Israel” (“Parem de fornecer armamento a Israel”). A faixa foi tapada pelos apoiantes de Biden que, com os seus cartazes que liam “WE ❤️ JOE” ("Amamos o Joe"), impossibilitaram que este fosse visto pelas câmaras. A organização do evento, conta a CNN Internacional, reduziu a intensidade das luzes no espaço onde apareceu a faixa até ao momento em que os manifestantes foram retirados da sala.

Apoiantes de Joe Biden cobrem a faixa levantada por manifestantes pró-Palestina (J. Scott Applewhite/AP)

Como seria de esperar, Biden dedicou parte do seu discurso ao conflito entre Hamas e Israel, e afirmou que quem se manifesta a favor da Palestina “tem razão”. “Os manifestantes que estão na rua têm razão, estão a ser mortas muitas pessoas inocentes, de ambos os lados”.

“Estamos a trabalhar 24 horas por dia, eu e o meu Secretário de Estado [Antony Blinken], para evitar uma guerra mais ampla, devolver os reféns às suas famílias e fazer chegar agora a Gaza assistência humanitária de saúde e alimentar”, disse Biden. “Para acabar com o sofrimento dos civis do povo palestiniano e, finalmente, conseguir um cessar-fogo e acabar com esta guerra”.

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