"Irei abater qualquer objeto que represente uma ameaça à segurança do povo americano": Joe Biden sobre os balões chineses

CNN Portugal , MJC
16 fev 2023, 19:54
Joe Biden na Casa Branca (AP)

Presidente dos EUA garante que não está "à procura de uma nova Guerra Fria" mas quis deixar clara uma mensagem para a China: "Agiremos para proteger os interesses do povo americano". E diz que não vai pedir desculpas

"Irei abater qualquer objeto que represente uma ameaça à segurança do povo americano", garantiu Joe Biden, presidente dos Estados Unidos da América, na sua primeira declaração público sobre a crise dos balões-espiões.

Em conferência de imprensa, esta quinta-feira, Biden confirmou que, depois de abatido um balão alegadamente chinês que sobrevoou vários estados há pouco mais de uma semana, foi ele que deu a ordem à Força Aérea para abater os três objetos desconhecidos que entraram no espaço aéreo americano. "Dei as ordem para abater esses três objetos devido aos perigos para o tráfego aéreo civil e porque não podíamos descartar o risco de estarem a espiar instalações sensíveis”, afirmou o presidente, sublinhando que tudo foi feito "com muita cautela" e sem colocar em risco a população. 

Biden explicou também que falou pessoalmente com o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, desde que um dos objetos foi abatido sobre o Canadá. As forças militares dos EUA e do Canadá estão a trabalhar em conjunto neste caso. 

Na última semana, caças da Força Aérea dos EUA abateram um balão chinês de grande altitude — que o Pentágono garante ter sido usado para espionagem militar — e outros três "objetos não identificados" que sobrevoaram o espaço aéreo da América do Norte. O balão foi abatido na costa da Carolina do Sul a 4 de fevereiro, tinha 60 metros de altura e uma base do tamanho de três autocarros. Os outros três foram identificados pelo Pentágono apenas como "objetos", sublinhando que não seriam necessariamente balões-espiões com origem na China. 

Embora ainda não esteja claro o que eram os três objetos não identificados, Biden confirma que "nada agora sugere que eles estejam relacionados com o programa de balões espiões da China ou que fossem veículos de vigilância de outro qualquer outro país". "A avaliação atual é que esses três objetos provavelmente eram balões ligados a empresas privadas, instituições de recreação ou de investigação que estudam o clima ou conduzem outras investigações científicas", disse Biden.

O presidente afirma, no entanto, que não há provas de um "aumento repentino no número de objetos no céu". "Agora estamos a ver mais destes objetos em parte devido às medidas que tomámos para aumentar a capacidade dos nossos radares", explicou.

Biden anunciou quatro medidas que vão ser aplicadas:

  • Os EUA vão ter um inventário dos objetos aéreos não tripulados acima do espaço aéreo do país e vão garantir que este seja "acessível e atualizado";
  • Vão "implementar medidas para melhorar sua capacidade de detetar objetos não tripulados";
  • As autoridades vão atualizar as regras e os regulamentos para o lançamento e a manutenção de objetos não tripulados acima dos EUA;
  • O secretário de Estado, Antony Blinken, vai liderar um esforço para ajudar a "estabelecer normas globais comuns neste espaço amplamente não regulamentado"

“Essas medidas vão levar a céus mais seguros e protegidos para o nosso espaço aéreo", disse Biden, sublinhando que manter a segurança do país é a sua prioridade: "Este é o meu trabalho como comandante-em-chefe das Forças Armadas. Agiremos para proteger os interesses do povo americano”.

Por isso, o governo dos EUA já impôs restrições a seis empresas chinesas que "apoiam diretamente" o programa aeroespacial das forças armadas chinesas, que inclui dirigíveis e balões. As restrições impedem essas empresas de aceder a tecnologia dos EUA, revelou.

O presidente quis deixar clara a mensagem de que não vai tolerar a violação do espaço aéreo do país nem tolerar qualquer ameaça à segurança. "A relação com a China é de competição, não de conflito. Não estamos à procura de uma nova Guerra Fria", garantiu. No entanto, afirmou também que não vai pedir desculpas à China por ter abatido o balão. 

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