O empresário tinha sido constituído arguido há cerca de quatro anos
O empresário Joe Berardo foi acusado pelo Ministério Público de crimes como burla agravada pela forma como conseguiu acumular dívidas em crédito malparado - na ordem dos mil milhões de euros - junto da Caixa Geral de Depósitos, do extinto BES e do BCP, confirmou a CNN Portugal. A informação foi avançada inicialmente pelo Observador.
A acusação do DCIAP, conhecida esta quinta-feira, surge no âmbito do processo em que o empresário madeirense, atualmente com 81 anos, foi detido e constituído arguido há cerca de quatro anos.
Entre 2008 e 2012, o empresário deu como garantia 100% dos títulos da Associação Coleção Berardo, que detinha uma valiosa coleção de arte avaliada entre 300 milhões e 500 milhões de euros. Segundo a Procuradoria-Geral da República, Berardo, com os advogados André Luiz Gomes e Gonçalo Moreira Rato, terá simulado um litígio em 2013, através de uma ação cível, para impedir os bancos de acederem ao património da associação.
A sentença dessa ação permitiu-lhes aprovar deliberações que prejudicaram os credores, contrariando os acordos iniciais feitos entre 2008 e 2010.
O inquérito teve inicialmente outros arguidos, incluindo familiares de Berardo e o ex-presidente da CGD Carlos Santos Ferreira, mas as suspeitas foram arquivadas por falta de indícios. Também se ponderou acusar outros administradores da CGD, o que acabou por não avançar.
