Tempo e paciência. Os três meses de Rendeiro em fuga, com a PJ à espreita

11 dez 2021, 12:16
João Rendeiro (Mário Cruz/ Lusa)
João Rendeiro (Mário Cruz/ Lusa)

Quando a mulher disse, em tribunal, que João Rendeiro estava na África do Sul, já a Polícia Judiciária sabia "há bastante tempo" onde ele estava. Entrevista à CNN Portugal foi "encriptada" para tentar ser "indetetável"

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A fuga de João Rendeiro durou quase três meses. Entre a viagem ao Reino Unido enquanto podia voltar a ser condenado, à detenção efetuada este sábado na África do Sul, o ex-banqueiro terá passado por mais locais, mas há quase três meses que tinha a Polícia Judiciária à espreita. Sem saber.

Na quinta-feira, em entrevista exclusiva à CNN Portugal, o diretor da PJ, Luís Neves, dizia que tinha “tempo” e “paciência” para o apanhar. Afinal, ele sabia mais: isso estava mesmo por horas.

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De Londres para a África do Sul

João Rendeiro tinha informado a Justiça portuguesa que ia fazer uma viagem ao Reino Unido, entre 12 e 30 de setembro. Partiu de Lisboa nesse dia 12 e, segundo informou agora a PJ, no dia 14 de setembro estava já a sair do Reino Unido. Na altura, ainda ninguém sabia da fuga.

Quatro dias depois, no dia 18 de setembro, chegava à África do Sul. A TVI noticiava a fuga 10 dias depois, garantindo que esta se fez num voo particular, num jato privado, supostamente sem deixar rasto. O ex-banqueiro terá, então, passado por outros países, como admite agora a PJ.

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“Temos a informação e a perceção de por onde passou até chegar à República da África do Sul” e “conseguimos ir encurtando o caminho de encontrar esta pessoa”, explicou Luís Neves, em conferência de imprensa este sábado de manhã.

A notícia da fuga

A 28 de setembro, dia em que Rendeiro foi condenado a mais três anos e seis meses de prisão efetiva num processo por crimes de burla qualificada, a TVI dava a notícia da fuga. O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, conta agora o diretor da PJ, já tinha "emitido uma notícia vermelha" e a Polícia Judiciária já tinha entrado em campo para "procurar e prender" o ex-banqueiro.

Os contactos na África do Sul tinham começado "passado pouco tempo" e a PJ foi "trabalhando par a par" com as autoridades deste país. Foi possível começar a conhecer as "rotinas" de João Rendeiro, que passou por vários hotéis de 5 estrelas em Joanesburgo durante a fuga.

"Não tinha disfarces, mas tinha muitos cuidados e não circulava livremente", adiantou Luís Neves, que também revelou que a PJ suspeita que o ex-banqueiro teve "um apoio inicial" na África do Sul, de uma "relação de amizade". 

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Mulher confirmou onde estava

No início de novembro, quando a mulher do ex-presidente do BPP, Maria de Jesus Rendeiro, foi detida, já a PJ saberia onde ele estava há muito tempo. 

Em interrogatório judicial, Maria de Jesus Rendeiro revelou que o marido estava na África do Sul. "Aquando da detenção da esposa, foi referido o país de destino, mas era uma informação que já tínhamos há bastante tempo", afirmou hoje Luís Neves.

O que a PJ também admitiu foi que "podia haver saídas e entradas" de Rendeiro entre a África do Sul e países que fazem fronteira. Luís Neves não precisou quais.

A entrevista à CNN e as reuniões que estavam a acontecer

A semana entre 20 e 24 de novembro terá sido decisiva para esta detenção. De acordo com as informações reveladas este sábado, foi nessa altura que a PJ se reuniu "com os mais altos dirigentes policiais da África do Sul". "Explicámos o quão grave tinham sido os crimes cometidos por esta pessoa", completou Luís Neves.

Entretanto, no dia 22 de novembro, a CNN Portugal estreava com uma longa entrevista ao ex-banqueiro, na qual não revelou onde estava, mas afirmou que costumava falar português, assumindo que tinha dupla nacionalidade, o que podia dificultar a extradição. Pistas analisadas pela PJ na altura, com o Laboratório de Polícia Científica a visualizar as imagens.

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A entrevista, no entanto, tinha sido dada de forma "encriptada", revelou Luís Neves. "Ele usou os meios tecnológicos mais avançados e que custam uma exorbitância para continuar indetetável", disse. No entanto, de nada serviu tanto segredo.

Segundo revelou também este sábado o diretor da PJ, o "local habitual de refúgio" de João Rendeiro era "a zona mais rica" da cidade de Joanesburgo. "Mas deambulou por outros locais para dificultar a detenção", acrescentou.

Até este sábado de manhã, quando foi detido, num hotel de 5 estrelas em Durban.

"Reagiu com surpresa, não estava à espera", concluiu José Neves. Afinal, o ex-presidente do BPP não sabia que estava a ser seguido "há bastante tempo". E com paciência.

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