Apanhado pela polícia, em pijama, no hotel-boutique. O que já se sabe sobre a detenção surpresa de Rendeiro

11 dez 2021, 13:47
João Rendeiro
João Rendeiro

João Rendeiro preparava-se para acordar para mais um dia de verão no hemisfério Sul, num hotel boutique de sete quartos com vista para o mar. Mas quando a porta do quarto abriu, era a polícia sul-africana

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ONDE FOI CAPTURADO: João Rendeiro foi apanhado de surpresa pelas autoridades sul-africanas no hotel onde estava, em Durban, a terceira maior cidade daquele país. Eram 7:00 da manhã. Quando foi detido, estava de pijama no quarto do Forest Manor Boutique Hotel, unidade com apenas sete quartos. Segundo a PJ, o banqueiro “não estava à espera” de ser capturado. Vestiu-se e saiu do quarto de camisa cor-de-rosa.

ONDE ESTÁ DETIDO E QUANDO SERÁ OUVIDO: O antigo banqueiro está detido numa esquadra da polícia na cidade onde foi detido. Vai comparecer no Tribunal de Magistratura de Durban na próxima segunda-feira, para ser ouvido. Pode, depois, ficar em prisão preventiva até à decisão judicial sobre o pedido de extradição para Portugal, o que, segundo especialistas ouvidos pela CNN Portugal, pode demorar alguns meses.

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QUANDO CHEGOU À ÁFRICA DO SUL: João Rendeiro chegou à África do Sul a 18 de setembro deste ano. Tinha saído de Londres num jato privado no dia 14. A PJ explicou que, no período entre a saída de Londres e a entrada na África do Sul, passou por outros países vizinhos.

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ONDE VIVIA: O português viveu em vários hotéis de luxo, circulando entre diferentes cidades. Chegou a viver na “zona mais rica” de Joanesburgo, a zona financeira, em “hotéis de cinco estrelas”. O antigo líder do BPP tinha cuidados para não ser encontrado, mas não andava disfarçado nas ruas.

COM QUE AUTORIZAÇÃO VIVIA: A PJ não quis adiantar pormenores sobre a dupla nacionalidade de João Rendeiro, algo que poderia bloquear a extradição da África do Sul. O diretor nacional dessa polícia adiantou apenas que o antigo banqueiro tinha “autorização de residência emitida no dia 10 de novembro como cidadão nacional”. A CNN sabe que esta autorização foi dada com base num investimento financeiro feito no país, num regime semelhante aos vistos "gold" em Portugal. Com base nesse documento, Rendeiro terá ficado com a ideia de que lhe era assegurada a dupla nacionalidade, salvando-o de extradição. É possível (informação ainda não confirmada) que as autoridades sul-africanas venham a retirar essa benesse, caso confirmem que o processo tenha tido irregularidades.   

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QUANDO VEM PARA PORTUGAL: Ainda não há uma data concreta, esperando-se que o processo esteja concluído do lado das autoridades sul-africanas. A PJ já demonstrou vontade de acompanhar o processo de extradição, inclusive acompanhando Rendeiro na viagem até Portugal, se ela se confirmar.

RENDEIRO SERÁ PRESO? Se o processo de extradição for confirmado pelos tribunais sul-africanos, sim: nesse caso, Rendeiro voará para Portugal onde será detido para cumprimento de pena.

COMO COMUNICAVA: Segundo a PJ, Rendeiro usou os “meios tecnológicos mais avançados” e que “custam uma exorbitância” para não ser detetado. Uma das redes sociais que privilegiava, inclusive para o contacto com a CNN Portugal no momento da entrevista que deu ao canal a 22 de novembro, era o Telegram.

QUE CRIMES COMETEU: Burla qualificada, falsificação de documentos, falsidade informática e fraude fiscal integram a lista de crimes de João Rendeiro. Em três processos diferentes, foi já condenado a mais de 16 anos de prisão efetiva. Cerca de seis mil lesados reclamam 1600 milhões de euros perdidos no colapso do BPP em 2010.

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