Rendeiro ficou “surpreso” com detenção. O retrato da captura, passo a passo

11 dez 2021, 11:04
Maria de Jesus e João Rendeiro
Maria de Jesus e João Rendeiro

Polícia Judiciária diz que sempre soube o percurso do ex-banqueiro do BPP desde que saiu do Reino Unido, em setembro. A ligação com as congéneres africanas permitiu montar o cerco

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Eram sete da manhã quando as autoridades sul-africanas confrontaram João Rendeiro, num pequeno hotel de luxo de Durban, a terceira maior cidade do país. “Reagiu surpreso, porque não estava à espera”, explicou o diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves. O ex-banqueiro ainda argumentou que não estava fugido à Justiça. “Dizer que não estava fugido é patético”, classificou o responsável durante a conferência de imprensa deste sábado, para explicar os contornos da detenção.

Rendeiro entrou na África do Sul a 18 de setembro. Desde então, passou por várias cidades deste país africano. Chegou a viver na “zona mais rica” de Joanesburgo, a zona financeira, em “hotéis de cinco estrelas”, revelou Luís Neves aos jornalistas. Ainda assim, o antigo líder do BPP tinha “muitos cuidados e não circulava livremente”, mas não andava disfarçado.

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Está agora detido “muito longe de Pretória e Joanesburgo”, numa esquadra da polícia em Durban, para que seja presente a juiz nas próximas 48 horas. A extradição é o cenário que as autoridades portuguesas querem garantir.

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Para chegar a este ponto, a Polícia Judiciária esteve em forte ligação com as congéneres da África do Sul e países envolventes. “Tínhamos montado uma teia de contactos para que, se houvesse movimentação para fora desses países, tivéssemos agilizado tudo isso”, garantiu Luís Neves.

Ex-banqueiro usou tecnologia que “custa uma exorbitância” para não ser apanhado

Antes da mulher de João Rendeiro ter dado a pista em tribunal, já a PJ sabia que Rendeiro estava na África do Sul. Terá escolhido este país porque “teve apoio pessoal” para se adaptar nos primeiros tempos. As autoridades dizem saber todo o percurso que fez, depois de sair do Reino Unido a 14 de setembro, até chegar a esta paragem. Tinha “autorização de residência emitida no dia 10 de novembro como cidadão nacional”, diz Luís Neves.

Mas o antigo banqueiro continuou a trocar as voltas às autoridades e a esconder o próprio rasto. Usou os “meios tecnológicos mais avançados” e que “custam uma exorbitância” para não ser detetado, inclusive na entrevista que deu em exclusivo à CNN Portugal. Aí, disse que só voltaria a Portugal se fosse ilibado ou recebesse um indulto do Presidente da República. E atirou culpas ao próprio advogado.

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Mas, para a PJ, parece não haver dúvidas: “Esta fuga foi por ele preparada durante vários meses”. O caso é de “contornos difíceis” mas o responsável máximo desta polícia quer ver ser feita justiça. Esta detenção para já, é um sinal, para todos os lesados do BPP: “Queremos dizer às vítimas que fizemos a nossa parte.”

João Rendeiro anunciou, a 28 de setembro, que estava fora de Portugal e que não tencionava voltar.

Para ter todas as certeza que o ex-banqueiro vai "cumprir pena de prisão em Portugal", a PJ quer ir buscar João Rendeiro à África do Sul. "Estamos em condições de o ir buscar, mas está fora do nosso âmbito", reconheceu.

 

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