“Propostas de Rio para o ambiente? São melhores que as de José Gomes Ferreira.” Matos Fernandes ironiza e aponta mentiras

29 dez 2021, 17:09

Ministro do Ambiente diz que Rui Rio “tem azar” ao criticar governo com “mentiras”. Afirma que o PCP “é extractivista”, o BE tem princípios certos mas “borrega”, o PEV tem um “um símbolo catita “ mas “nada de ecologista” e o PAN tem “um projecto importantíssmo ao nível do bem-estar animal”

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“Ele tem mesmo azar”, ironiza Matos Fernandes. “Os três exemplos” que Rui Rio deu de incumprimento pelo governo na área do Ambiente “foram todos mentira”, acusa. A ironia não fica por aqui.

As declarações do ministro do Ambiente foram feitas em entrevista à CNN Portugal. Em causa estão críticas que Rui Rio fez ao governo durante o Congresso do PSD, há dez dias. Na altura, o presidente do PSD afirmou que “o Governo socialista falhou em aspetos relevantes da política ambiental, como seja o incumprimento das metas europeias para eficiência energética, para a separação de bioresíduos, para a utilização dos biocombustíveis e para o fomento das próprias energias renováveis.”

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João Pedro Matos Fernandes reage agora: “Que não cumprimos a meta de incorporação das renováveis, é falso, cumprimos. Que não cumprimos as metas de eficiência energética, é falso, cumprimos (ainda que se possa dizer que 2020 foi um ano muito especial, o facto é que cumprimos). Que não cumprimos as metas para os bioresíduos, bom, não há metas para os bioresíduos, há para o ano de 2023 a obrigatoriedade de o país ter – e vai ter de certeza – um sistema de recolha separativa para o bioresíduos.”

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O ministro ao Ambiente considera que, “com base num diagnóstico tão falso, é difícil depois que haja políticas corretas", afirma, referindo-se a Rui Rio. "Mas daquilo que ele enunciou como políticas ambientais, ah, comparado por exemplo com as propostas de José Gomes Ferreira foram muito melhores as do Dr. Rui Rio.”

José Gomes Ferreira é jornalista e lidera programas regulares sobre política energética na SIC Notícias, que com frequência são críticos em relação ao ministro do Ambiente e da Transição Energética.

Geringonça não impediu políticas

João Pedro Matos Fernandes faz uma avaliação positiva da “geringonça” e diz que, “nas coisas grandes” da área do Ambiente, nada ficou por fazer por causa das críticas do PCP e do Bloco de Esquerda. Mas distingue os partidos.

“O PCP é mesmo um partido extractivista, produtivista, o BE não tem nada a ver com isso, são partidos completamente diferentes. (…) O Bloco de Esquerda tem a ver com a enumeração de um conjunto de princípios certos só que depois borrega quando de facto tem de concretizar as coisas.” 

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Matos Fernandes critica também outros partidos: “Ouvi coisas absolutamente extraordinárias, falando agora de um partido diferente, o PAN: eu ouvi, quando foi o encerramento da refinaria de Matosinhos, na AR, a deputada eleita pelo PAN do Porto dizer que a refinaria não tinha emissões. Em face de coisas destas, é muito fácil a dizer umas coisas mas é muito complicado saber fazê-las.”

Mas PAN e PEV são partidos também diferentes. “O PEV não tem nada de ecologista. Encontraram aquele nome e um símbolo catita mas não têm nada de ecologista. O PAN, do ponto de vista dos princípios, ao nível do bem-estar animal, tem de facto um processo importantíssimo”

Nesta fase da entrevista, de teor mais político, Matos Fernandes responde não estar preocupado se vai ou não ser ministro no futuro, depois das eleições. “Eu nunca estive num “emprego” durante tanto tempo”, diz o político do PS que lidera o Ministério do Ambiente há mais de seis anos. “O normal era eu ficar cá mais estes dois anos levando políticas até ao fim. Vai falar o povo, depois vai falar o Dr. António Costa, depois falarei eu. Sobretudo, eu acho que a coisa mais normal do mundo, em qualquer momento, é deixar de ser ministro”.

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