Cravinho visita Albânia e Macedónia do Norte para "reafirmar o compromisso de Portugal" em apoiar adesão à União Europeia

Agência Lusa , FMC
24 jul, 19:50
João Gomes Cravinho (Horacio Villalobos/ Getty)

O "momento histórico" do início das negociações de adesão dos dois países com a UE aconteceu na terça-feira, dia 19

O ministro dos Negócios Estrangeiros vai na segunda e terça-feira visitar a Albânia e a Macedónia do Norte para apoiar o processo de entrada destes dois países na União Europeia, cujas negociações começaram na terça-feira.

"Numa altura em que se registam importantes avanços no processo de negociação de adesão da Albânia e da Macedónia do Norte à União Europeia (UE), o MNE português pretende, com esta viagem a Tirana e Skopje, reafirmar o compromisso de Portugal com as referidas perspetivas de adesão", lê-se num comunicado enviado este domingo à Lusa.

Na segunda-feira, o ministro João Gomes Cravinho estará em Tirana, onde manterá "encontros com a homóloga albanesa, com a ‘speaker’ do parlamento e com o negociador principal para a adesão da Albânia à UE", acrescenta-se no comunicado, que dá conta que no dia seguinte o MNE português estará em Skopje, a capital da Macedónia do Norte, para reuniões com o primeiro-ministro, o MNE macedónia o vice-primeiro-ministro com a pasta dos Assuntos Europeus.

A União Europeia lançou na terça-feira, dia 19, as negociações de adesão com Macedónia do Norte e Albânia, tendo o “momento histórico” sido assinalado numa cerimónia na Comissão Europeia, com a presidente Ursula Von der Leyen e os primeiros-ministros dos dois países candidatos.

A abertura das negociações, que Skopje e Tirana há muito aguardavam, ocorre depois de a Macedónia do Norte ter assinado no domingo, dia 17, um protocolo bilateral com a Bulgária, que permitiu desbloquear um longo impasse que afetava também a Albânia, tendo os 27 dado na segunda-feira ‘luz verde’ para a celebração das primeiras reuniões intergovernamentais, que decorreram no dia seguinte em Bruxelas, com um significado meramente político, mas que lançam oficialmente as negociações.

Que momento histórico. Hoje, a Albânia e a Macedónia do Norte abrem negociações de adesão com a UE. Este é o vosso sucesso, é o sucesso dos vossos povos. Trabalharam arduamente para chegar aqui. Mostraram tanto compromisso com os nossos valores, demonstraram resiliência e mantiveram fé no processo de alargamento”, disse Von der Leyen, dirigindo-se aos primeiros-ministros da Macedónia do Norte, Dimitar Kovacevski, e da Albânia, Edi Rama.

A Macedónia do Norte estava bloqueada desde 2005 na antecâmara da UE, devido ao veto da Grécia até 2018, e ao bloqueio do dossier pela Bulgária em 2020, devido a divergências históricas e culturais.

A proposta de consenso aceite pela Bulgária, e delineada durante a anterior presidência francesa da UE, que terminou no final de junho, prevê que se realize no imediato uma primeira Conferência Intergovernamental (CIG), com caráter meramente político, pelo facto de as negociações apenas poderem ser iniciadas após a aprovação de uma emenda constitucional que inclua os búlgaros (cerca de 3.500 pessoas) como povo constitutivo da República da Macedónia do Norte, uma sugestão que tem sido foco de novos problemas.

A oposição macedónia, numerosos intelectuais, mas também organizações não governamentais (ONG) próximas da coligação governamental liderada pelos sociais-democratas (SDSM) e partidos menos expressivos, rejeitaram a proposta.

Nos seus argumentos, consideram que a proposta contém artigos que a Bulgária poderá usar para vetar no futuro as negociações de adesão.

A Bulgária insiste que a Macedónia do Norte altere alguns dos livros escolares e onde se reconheça que a língua macedónia tem raízes búlgaras, e que os dois povos partilharam no passado uma história comum.

A Macedónia do Norte tem sublinhado que a sua identidade e a língua macedónia não estão abertos a discussões.

Uma sondagem realizada no início de julho pelo Instituto para Análises Políticas (IPIS) indicou que apenas 29% dos inquiridos deste país multiétnico apoia a proposta da UE.

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