Portugal alinha-se com Espanha e "não aceita" pedido de Bruxelas para cortar em 15% o consumo de gás

21 jul, 09:00

Secretário de Estado do Ambiente e da Energia classificou a medida como "insustentável" e "desproporcional"

Depois de Ursula von der Leyen ter pedido aos países da União Europeia (UE) para reduzir em 15% o consumo de gás, o secretário de Estado do Ambiente e da Energia já fez saber, ao jornal Público, que a resposta de Portugal ao pedido é "não".

João Galamba disse que o Governo "não aceita" a proposta da Comissão Europeia, porque considera que esta ignora o facto de o país não ter interligações com o resto da Europa, mas também porque o consumo de gás dirige-se essencialmente à indústria e à produção de electricidade.

O governante fez questão de sublinhar que Portugal utiliza o gás "por absoluta necessidade" e, por isso mesmo, "irá opor-se" à aprovação de uma medida que classificou como "insustentável" e "desproporcional". Recorde-se que Bruxelas precisa do voto favorável de uma maioria qualificada no Conselho Europeu.

Uma resposta que vai ao encontro da posição tomada pelos vizinhos espanhóis. A ministra da Transição Ecológica de Espanha afirmou, esta quinta-feira, numa entrevista à rádio Cadena SER, que o governo não vai exigir ou obrigar os consumidores a reduzir o consumo de gás natural até à primavera.

"Vamos pedir, não exigir, poupança energética e eficiência", disse Teresa Ribera, acrescentando ainda que não vão "introduzir uma obrigação para regular as temperaturas das casas". 

A ministra espanhola criticou ainda o facto de Bruxelas ter avançado com esta medida sem ter pedido "uma opinião prévia" aos Estados-membros. "Não é a decisão mais eficaz, nem mais eficiente, nem mais justa", rematou. 

A Comissão Europeia receia que haja um corte total do fornecimento russo, numa altura em que quase metade dos 27 estão "afetados por entregas reduzidas". "Tomar medidas agora pode reduzir tanto o risco como os custos para a Europa em caso de maior ou total perturbação, reforçando a resiliência energética europeia", justificou. 

Está previsto que Bruxelas possa declarar uma situação de emergência perante um eventual corte no abastecimento russo, com o racionamento e a redução do fluxo a serem medidas de último recurso. Em Portugal, o gás russo representou, em 2021, menos de 10% do total importado.

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