PCP: João Ferreira critica "cantos de sereia" da União Europeia que estagnaram desenvolvimento do país

Agência Lusa , CE
12 nov, 18:09
João Oliveira (Lusa/António Pedro Santos)

Portugal "não é um país pobre", sustentou o antigo eurodeputado, mas "foi empobrecido" por causa da submissão "aos ditames da UE"

O dirigente comunista e antigo eurodeputado João Ferreira voltou este sábado a criticar os “cantos de sereia” da União Europeia (UE) que afirmou estarem a comprometer a soberania produtiva do país.

“A produção nacional é necessária para defender a democracia e a soberania é necessária para defender e promover a produção. Desconsiderar uma e outra significa comprometer o desenvolvimento do país e é isso que acontece em Portugal há várias décadas", acusou João Ferreira, na Conferência Nacional do PCP.

Portugal “não é um país pobre”, sustentou o antigo eurodeputado, mas “foi empobrecido” por causa da submissão “aos ditames da UE”.

De Bruxelas chegam sempre “cantos de sereia”, considerou João Ferreira, que recebeu um dos maiores aplausos do dia quando se dirigiu ao palco do Pavilhão Alto do Moinho, Corroios, para intervir.

“Os cantos de sereia das liberalizações e das privatizações rapidamente se transformaram no canto do cisne de importantes setores produtivos nacionais. Ganhou o capital monopolista. Perderam os trabalhadores, o povo e o país”, elaborou o membro da Comissão Política do PCP e vereador sem pelouro na Câmara de Lisboa.

O dirigente comunista acrescentou que “os cantos de sereia” também se encontram na “adesão e permanência no euro”, que está a “retirar margem de manobra à condução económica”, enquanto vai “impondo ao país uma política monetária, financeira, cambial e orçamental desajustada das necessidades e potencialidades” do país.

As sereias e os seus cantos, continuou João Ferreira, revelaram-se com os fundos europeus, uma “parca compensação pelos impactos negativos da integração”.

E não tem dúvidas de que os fundos europeus são uma “compensação insuficiente e em parte malbaratada” pela União Europeia e pelos interesses económicos que aguardam para “lhes caiam mais uns milhões no regaço”.

Utilizando uma das epígrafes da conferência, “tomar a iniciativa”, João Ferreira disse que Portugal tem de “romper com a arrastada estagnação das últimas duas décadas” e isso só é possível, na sua opinião, com o desenvolvimento da produção de “alimentos, medicamentos, equipamentos, meios de transporte ou energia”.

O dirigente comunista referiu que “é indispensável avançar com a reindustrialização” e isso faz com que o investimento público tenha de estar nos 5% do Produto Interno Bruto (PIB).

A popularidade de João Ferreira na esfera comunista foi confirmada nesta Conferência, com os delegados e militantes a aplaudirem fortemente o militante que já foi a todos os "combates políticos" nas palavras de Jerónimo de Sousa, e que foi inclusive um dos nomes apontados pelo próprio secretário-geral cessante para a sucessão.

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