O corredor da UAE Team Emirates impôs um ritmo fortíssimo durante os últimos seis quilómetros desta subida na Volta a Espanha, conseguindo distanciar toda a gente - exceto, como seria de esperar, o homem a abater. É a melhor vitória da carreira do português
Os mais pessimistas diriam que esta sexta-feira seria o dia em que Jonas Vingegaard selaria a sua vitória na Vuelta perante um João Almeida incapaz de reagir. O Angliru é a subida mais complicada desta edição, talvez em toda a Espanha, e assenta bem nas características do dinamarquês. A estrada, contudo, não ditou esse desfecho.
Numa etapa com mais uma fuga bem composta, onde o português Ivo Oliveira, da UAE Team Emirates, marcou presença, o pelotão rapidamente se aproximou da subida final. Ainda antes de chegarem ao Angliru, um desenvolvimento que, certamente, muito poucos esperariam: Juan Ayuso, após vitória no dia anterior, descolou do pelotão quando este ainda contava com umas boas dezenas de corredores.
Mas, neste dia, a hipotética ajuda de Ayuso não foi necessária pois outros homens estiveram à altura da ocasião: Jay Vine, que entrou na subida na frente, e o austríaco Felix Grossschartner, companheiro de equipa de João Almeida, que comandou o grupo principal até este ficar apenas com Almeida, Vingegaard, Sepp Kuss, companheiro do dinamarquês, e o australiano Jai Hindley, da Red Bull – Bora – Hangrohe.
Depois do excelente trabalho de Grossschartner na primeira parte da subida, coube a Almeida comandar o grupo dos favoritos nos últimos seis quilómetros.
O ritmo que o português impôs foi impressionante. Kuss e Hindley ainda conseguiram seguir durante cerca de quilómetro e meio, mas depois só Vingegaard foi capaz de acompanhar o português.
Não foi um ataque dos típicos, com grande explosividade e aceleração. Foi um ataque à Almeida, a ritmo, que sufoca lentamente quem o segue. O próprio Vingegaard, a espaços, não pareceu totalmente confortável na roda do português. Pensamos que, se tivesse conseguido, teria tentado distanciar-se do corredor de A-dos-Francos, uma vez que era das melhores oportunidades para o fazer.
Desde que tomou o comando do pequeno grupo, a seis quilómetros do final, ninguém mais ultrapassou Almeida, que conseguiu prevenir um eventual assalto final de Vingegaard à etapa e venceu numa montanha que já coroou, entre outros nomes, Alberto Contador, Roberto Heras e Primoz Roglic.
Foi, de longe, a exibição mais conseguida da carreira de João Almeida, que, com as bonificações, recuperou quatro segundos ao corredor da Visma – Lease a Bike. Recuperar e ganhar mais do que os 46 segundos que tem de diferença afigura-se, porém, difícil. Vingegaard não é qualquer um, foi o único que bateu Tadej Pogacar no Tour de France e fê-lo por duas vezes. Mas celebremos: temos um compatriota no topo do ciclismo mundial.