O dinamarquês deixou todos para trás nos últimos metros da subida final e junta a vitória na corrida espanhola aos dois Tour de France que conquistou, em 2022 e 2023. Almeida deu tudo, mas não conseguiu
Acordámos este sábado com a esperança de ver, pela primeira vez, um ciclista português a vencer uma Grande Volta. João Almeida estava a 44 segundos de Jonas Vingegaard à partida para a 20.ª etapa da Vuelta, com início em Robledo del Chavela e final na Bola del Mundo, a parte final da subida do Puerto de Navacerrada.
A equipa do português, a UAE Team Emirates, pegou bem cedo na corrida e não deixou a fuga ganhar muito tempo. Oliveira, Bjerg, Novak, todos se colocaram ao serviço de João Almeida.
Na primeira passagem pelo Puerto de Navacerrada não se fizeram diferenças entre os principais candidatos, apesar do forte ritmo imposto por, entre outros, Juan Ayuso, o corredor mais polémico do momento.
A subida final começou também com a UAE Team Emirates a controlar. Ayuso, Soler, Grossschartner e Vine entraram novamente no Puerto de Navacerrada na frente em trabalho para o português. Fomos esperando e esperando pelo ataque de João Almeida. Vine trabalhou até três quilómetros do final, onde começava a fase mais difícil da ascensão. Ainda era possível recuperar os 44 segundos.
No entanto, quando passou para a frente do grupo para imprimir o seu ritmo, João Almeida não foi capaz de distanciar Vingegaard. Os dois tinham também a companhia de Jai Hindley, da Red Bull – Bora – Hansgrohe, Tom Pidcock, da Q36.5, e Sepp Kuss, colega de equipa do dinamarquês da Visma – Lease a Bike.
A cerca de dois quilómetros do final, Hindley atacou para tentar roubar o pódio a Pidcock. Vingegaard prontamente seguiu o australiano, enquanto Almeida sofria para se manter com os dois líderes. 700 metros após a aceleração de Hindley, Vingegaard deu a machadada final e atacou, deixando os restantes corredores do grupo "a pé". A esperança morreu: Almeida já não tinha hipótese de ganhar a Vuelta.
Partindo para a penúltima etapa ainda com oportunidade de ganhar a prova, é natural sentir alguma tristeza pelo desfecho. Não é todos os dias que se tem a oportunidade de ganhar uma prova desta dimensão. Mas João Almeida tem de se sentir orgulhoso. Levou Jonas Vingegaard, o único corredor que bateu Tadej Pogacar no Tour de France – fê-lo por duas vezes - até à negra. No início da Vuelta, esse cenário era quase impossível.
"Estive no limite durante toda a etapa", começou por dizer João Almeida aos jornalistas após o final da etapa. "Mas tínhamos de tentar, não tínhamos nada a perder. É assim. (…) Infelizmente, tenho estado doente esta semana, as sensações não eram as melhores, mas mesmo assim tentámos e acho que é isso que conta. Não há qualquer arrependimento. Parabéns ao Jonas, foi muito forte", acrescentou o português, visivelmente cansado e resignado após o quinto lugar na etapa, a 22 segundos de Vingegaard.
Este domingo corre-se a etapa de consagração, a 21.ª e última, com início em Alalpardo e final em Madrid. João Almeida vai estar no pódio final, no degrau do meio, igualando o resultado de Joaquim Agostinho em 1974.