PS acompanha “com preocupação” notícias sobre PSP e GNR, mas espera por inquérito para tirar ilações

Agência Lusa , DCT
17 nov, 15:47
Unidade Especial de Polícia (Lusa/Mário Cruz)

Joana Sá Pereira defendeu que o Governo foi "bastante rápido" ao determinar a abertura de um inquérito sobre a veracidade das notícias por parte da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), e afirmou que o PS vai esperar pelos resultados dessa investigação para fazer a sua reflexão

O PS afirmou esta quinta-feira estar a acompanhar “com preocupação” as notícias de que elementos da PSP e GNR terão publicado mensagens racistas e xenófobas nas redes sociais, embora aguarde “com serenidade” o resultado do inquérito aberto para tirar ilações.

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, a deputada do PS Joana Sá Pereira reagiu às notícias divulgadas por um consórcio de jornalistas de investigação de que membros da PSP e GNR terão publicado mensagens racistas e xenófobas nas redes sociais, considerando que, caso se confirmem, são "muito preocupantes".

"São afirmações e comportamentos que, a confirmarem-se, podem ser questionáveis no Estado de direito democrático, e aquilo que nós não podemos fazer é contribuir para a descredibilização das forças e serviços de segurança, para a autoridade do Estado que é fundamental no quadro do Estado de direito democrático", reagiu a deputada socialista.

Joana Sá Pereira defendeu que o Governo foi "bastante rápido" ao determinar a abertura de um inquérito sobre a veracidade das notícias por parte da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), e afirmou que o PS vai esperar pelos resultados dessa investigação para fazer a sua reflexão.

“O que temos que fazer é esperar com serenidade os resultados dessa investigação e depois refletirmos sobre ela e tirarmos, isso é fundamental, as ilações que dessa investigação possamos produzir”, referiu.

Questionada se o PS tenciona aprovar o requerimento apresentado pelo Bloco de Esquerda que pede a audiência urgente do ministro da Administração Interna sobre este assunto, Joana Sá Pereira respondeu que essa questão será "analisada oportunamente”.

“Mas, naturalmente, tudo aquilo que forem as mensagens que, neste momento, possam tranquilizar… Porque, o pior contributo que nós podemos dar é pormos em causa a confiança a credibilidade nas forças e serviços de segurança. Portanto, tudo aquilo que for de apurar, apurar-se-á em momento oportuno”, referiu.

Interrogada se considera que estas mensagens de racismo e xenofobia “mancham” a imagem da PSP e da GNR, Joana Sá Pereira respondeu: “Não mancham. Podem, a confirmar-se, pôr em causa a confiança dos cidadãos nas forças e serviços de segurança”.

“Nós continuamos a confiar nas forças e serviços de segurança, mas também, como disse, vimos com preocupação que isto tenha acontecido. São coisas completamente diferentes, mas a autoridade de Estado não pode sair prejudicada depois do que aconteceu ontem [quarta-feira], é isso que queremos preservar”, afirmou.

Nestas declarações aos jornalistas, Joana Sá Pereira qualificou ainda como “lamentáveis” as declarações do líder do Chega, André Ventura, que acusou o Governo de ter uma “atitude persecutória” e de “humilhação dos políticas”, e afirmou que irá denunciar o caso à Comissão Europeia.

A deputada socialista acusou Ventura de achar “que há determinados cidadãos que não se podem sujeitar à lei”.

“Julgo que, numa democracia, isso não é sustentável e, portanto, sempre que há uma suspeita – isso não acontece só dentro das forças e serviços de segurança – ou indício de que existe prática de crimes, as autoridades competentes devem investigar. É isso que se faz num quadro de Estado de direito democrático”, afirmou.

Um consórcio de jornalistas de investigação divulgou, na quarta-feira, uma reportagem de Pedro Coelho, Filipe Teles, Cláudia Marques Santos e Paulo Pena na SIC, no Setenta e Quatro, no Expresso e no Público, que mostra que as redes sociais são usadas para fazer o que a lei e os regulamentos internos proíbem, com base em mais de três mil publicações de militares da GNR e agentes da PSP, nos últimos anos.

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