Jornada Mundial da Juventude não põe em causa funcionamento do INEM ou do SNS, garante Pizarro

5 jun 2023, 17:49
Ministro da Saúde,  (António Pedro Santos/Lusa)

Dois hospitais de campanha, 75 postos médicos fixos, dez postos avançados do INEM, de equipas móveis de socorro: estes são os meios extraordinários previstos no plano de saúde da JMJ. Ministro garante que não teve dificuldade em mobilizar os profissionais que vão estar no terreno e que o plano em nada afetará o normal funcionamento do Serviço Nacional de Saúde

O plano de Saúde para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) prevê, além de dois hospitais de campanha na região de Lisboa, a instalação de 75 postos médicos fixos e de dez postos médicos avançados do INEM e ainda a criação de 75 equipas móveis de suporte básico de vida. 

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, não sabe ainda quantos profissionais de saúde serão alocados a esta operação especial - serão "muitas centenas", nem todos médicos, limitou-se a dizer - mas garante que este plano "não vai prejudicar de maneira nenhuma" o funcionamento do INEM - Instituto Nacional de Emergência Médica ou do Serviço Nacional de Saúde (SNS), "porque são serviços em redundância àquilo que é o serviço normal do INEM, que continuará assegurado com os mesmos recursos".

Pizarro afirma que as escalas do SNS para o período mais crítico, de 1 a 6 de agosto, estão asseguradas e que, "felizmente", não tiveram "nenhuma dificuldade em mobilizar estes profissionais". Lembrando que o SNS tem mais de 150 mil profissionais, dos quais mais de 50 mil são enfermeiros e mais de 30 mil são médicos, o ministro congratulou-se pelo facto de estes profissionais terem entendido "a importância deste momento" para o país. Questionado sobre se foi necessário pedir a profissionais para alterarem as suas férias ou fazer contratações para a JMJ, Manuel Pizarro garante que, "no essencial, [o plano] foi conseguido com base no voluntariado" e que "não houve contratações específicas para este evento", o que houve foi "uma mobilização de pessoas" e também poderá haver "alguma deslocalização de meios", sobretudo na primeira semana de agosto. E sobre a utilização de médicos estrangeiros, disse apenas: "Vai haver profissionais capazes de responder em línguas estrangeiras, nomeadamente em inglês."

Na apresentação do plano de saúde, esta segunda-feira, pouco mais de concreto se ficou a saber, uma vez que nem a localização dos hospitais de campanha e dos postos médicos estão definidas, dependendo do plano de mobilidade que está ainda a ser elaborado, disse o ministro.

Antes da Jornada Mundial da Juventude, as dioceses de todo o país vão promover o encontro de jovens de todo o mundo, com a chegada dos peregrinos a ocorrer de 26 a 31 julho. Por isso, a partir da última semana de julho, está previsto o alargamento do horário de funcionamento de cuidados primários, em função da avaliação das administrações regionais de saúde e da concentração de participantes e eventos, com os novos horários a serem divulgados na aplicação oficial JMJ e no portal do SNS.

“Há que compreender que não se trata de um evento localizado, mas descentralizado ao longo do país, em que, durante a última semana de julho, temos vários eventos a decorrer em 17 dioceses, 15 das quais no continente e as outras nas ilhas”, referiu António Marques, presidente da comissão que elaborou o plano de saúde para a JMJ.

António Marques adiantou que, no caso de situações de exceção, estão também previstos planos de contingência para os hospitais com maior capacidade de resposta no país, na perspetiva de uma articulação em rede. Em curso está, assim, a revisão dos planos de contingência para catástrofe dos centros hospitalares de Lisboa Norte, Lisboa Central, Lisboa Ocidental, de Coimbra, de Santo António e de São João, que serão operacionalizados a partir da última semana de julho.

"Estamos atentos, vigilantes, preparados"

Durante a primeira semana de agosto, além de haver um representante da saúde no centro de comando operacional da Proteção Civil, a comissão ficará em permanência no Ministério da Saúde, com acesso em tempo real a diversos indicadores do estado de funcionamento do SNS 24, da emergência pré-hospitalar, dos cuidados de saúde primários e da rede hospitalar. “Desta forma, perante qualquer eventual ocorrência anormal, garante-se a capacidade de apoio à decisão nos diversos níveis de complexidade e dimensão”, refere o documento.

António Marques indicou ainda que, em termos logísticos, “há reservas que têm de ser equacionadas” em apoio à resposta prevista, como será o caso de sangue, com o plano a prever a realização, antes da JMJ, de campanhas de promoção para a dádiva em 15 dioceses.

O plano prevê também o reforço do Centro de Contacto SNS 24 (linha telefónica), em português, inglês e castelhano, sendo possível apoio noutras línguas com o acionamento do serviço de tradução telefónica do Alto Comissariado para as Migrações. A linha SNS 24 continuará a ser, neste período, "a porta de entrada privilegiada de entrada no SNS para casos não urgentes". 

"Portugal está preparado para este evento", afirmou o ministrou da Saúde,  "Estamos atentos, vigilantes, preparados", garantiu Margarida Tavares, secretária de Estado para a Prevenção de Saúde, explicando que se está a trabalhar para "estar o mais preparado possível", embora sempre na expectativa de que estes serviços não sejam necessários.

Américo Aguiar, presidente da Fundação JM, também está confiante e fala numa "tranquilidade vigilante". Da experiências de jornadas anteriores, acredita que os principais problemas de saúde associados a estes eventos são pés torcidos - os peregrinos andam muito e a calçada lisboeta pode ser traiçoeira, avisou -, problemas gástricos devidos à alteração na alimentação habitual dos jovens e problemas relacionados com insolações e pouca hidratação.

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