Morreu Jesse Jackson, figura incontornável dos direitos civis nos EUA

CNN Portugal , MJC
17 fev, 09:49
Jesse Jackson

Conhecido pelo seu ativismo e influência política, o reverendo Jesse Jackson marchou ao lado de Martin Luther King. Tinha 84 anos

O reverendo Jesse Jackson, ícone dos direitos civis nos EUA e duas vezes candidato presidencial, morreu aos 84 anos.

Conhecido pelo seu ativismo e influência política, Jackson marchou ao lado de Martin Luther King Jr. e dedicou a sua vida à luta pelos direitos civis de grupos marginalizados, tanto nos Estados Unidos como no estrangeiro.

De acordo com um comunicado da família, Jackson "morreu pacificamente na manhã de terça-feira, rodeado pela família". “O seu compromisso inabalável com a justiça, a igualdade e os direitos humanos ajudou a moldar um movimento global pela liberdade e pela dignidade”, pode ler-se no comunicado. “Deu voz aos que não tinham voz - desde as suas campanhas presidenciais na década de 1980 até à mobilização de milhões de pessoas para se registarem para votar -deixando uma marca indelével na história.”

"O nosso pai era um líder servidor - não apenas para a nossa família, mas para os oprimidos, os sem voz e os marginalizados em todo o mundo", disse a família.

O líder dos direitos civis, Jesse Jackson, com Martin Luther King, em 1966 (Fotografia: Universal History Archive/Universal Images Group via Getty Images)

Jesse Jackson nasceu em Greenville, Carolina do Sul, em 1941, no sul segregado dos Estados Unidos, e formou-se na Universidade Estadual Agrícola e Técnica da Carolina do Norte (North Carolina A&T State University), uma universidade historicamente negra, em 1964.

Rapidamente se tornou ativo no movimento dos direitos civis, participando inclusive nas marchas de Selma a Montgomery, no Alabama, e emergiu como um dos vários discípulos de Martin Luther King Jr., o seu líder emblemático. Foi King quem convidou Jackson para um papel na sua Conferência de Liderança Cristã do Sul (Southern Christian Leadership Conference), a organização que liderou os protestos não violentos contra a segregação. Martin Luther King escolheu ainda Jackson para liderar a Operação Breadbasket, com o objetivo de pressionar as empresas, incluindo através de boicotes, a contratarem mais trabalhadores negros em Chicago, a cidade adoptiva de Jackson.

Jackson estava com King quando este foi assassinado em Memphis, Tennessee, em 1968.

Nesse mesmo ano, Jackson foi ordenado pelo Reverendo Clay Evans, embora tivesse abandonado o Seminário Teológico de Chicago quando lhe faltassem três créditos para se formar, a fim de trabalhar no movimento dos direitos civis. Mais tarde, em 2000, recebeu o grau de Mestre em Divindade pelo mesmo seminário, com base no seu percurso e experiência.

Ao longo dos anos, recebeu mais de 40 títulos de doutor honoris causa de universidades de renome em todo o país, segundo a Rainbow PUSH Coalition, a organização sediada em Chicago que liderou durante décadas.

A causa da morte não foi divulgada. Jackson sofria de paralisia supranuclear progressiva (PSP) há mais de uma década. Inicialmente, foi-lhe diagnosticada doença de Parkinson. Nos últimos anos, também foi hospitalizado duas vezes com Covid-19.

E.U.A.

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