Jerónimo já admite acordos escritos: "Tudo o que for positivo, contem com o PCP"

10 jan, 21:10
Jerónimo de Sousa

Líder dos comunistas também não exclui uma moção de rejeição para travar um eventual Governo de Rui Rio

Jerónimo de Sousa já admite voltar a fazer acordos escritos de governação à esquerda, 11 dias depois de ter negado esta possibilidade em entrevista à CNN Portugal e depois de um debate com António Costa que não correu bem ao líder dos comunistas.

"Não temos uma visão maniqueísta. Tudo o que for positivo para os trabalhadores, povo e país, contem com o PCP; o que for negativo, venha de onde vier, naturalmente terá a posição contra do PCP", disse o secretário-geral do PCP em entrevista ao Observador nesta segunda-feira, quando questionado sobre o acordo da geringonça, que o então presidente Cavaco Silva obrigou a que fosse assinado.

Jerónimo nunca percebeu, aliás, o porquê de tal exigência. "Nunca entendi aquele desespero por parte do Presidente da República pelo papel, que não explicava. Era uma questão de confiar na palavra dada por parte de cada um. Fez-se um papel que tem um valor relativo, porque era a ação prática que determinava as intervenções. Mais que um papel, pensamos se é possível a convergência das forças democráticas para dar soluções ao país."

E se os acordos à esquerda voltam a ser possíveis, a (quase) garantia de que não haverá um governo de direita também. Apesar de Jerónimo considerar "possível a convergência das forças políticas democráticas", não acredita que "o PSD apareça como força dianteira da esquerda ou assuma um compromisso com um programa que tenha esse sentido progressista".

"Não podemos fazer essa afirmação de que votaremos sempre contra, depende da proposta que for colocada. Sendo sincero, por aquilo que está indiciado e foi anunciado por Rui Rio, é muito difícil, tendo até a dizer impossível, que rejeitássemos uma moção de censura por parte da Assembleia da República", assumiu.

Quanto a Pedro Nuno Santos, apontado como sucessor de António Costa na liderança do PS, Jerónimo garantiu que não tem nenhum relacionamento especial com o ministro das Infraestruturas, mesmo depois de o governante ter feito questão de cumprimentá-lo após o chumbo do Orçamento do Estado.

"Não. Garanto, dou a minha palavra que não. Existe trato urbano, relacionamento institucional… Não mais do que isso", afirmou.

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