Ainda não há consenso entre Senado e Câmara dos Representantes para o substituto, mas o presidente dos Estados Unidos tem a certeza do que quer
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que irá demitir o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, caso este não renuncie ao cargo quando o seu mandato terminar, no próximo mês.
"Então terei de o despedir", disse Trump a Maria Bartiromo, da Fox Business, esta quarta-feira, em resposta a uma pergunta sobre a permanência de Powell na Fed.
O mandato de Powell como presidente termina a 15 de maio. A escolha de Trump para o substituir, Kevin Warsh, ainda não foi confirmada pelo Senado e pela Câmara dos Representantes. Isto deixa em aberto a possibilidade de Powell se manter no cargo como presidente "pro tempore", de acordo com as normas da Fed.
Powell confirmou numa conferência de imprensa em março que, se Warsh não for confirmado pelo Senado até 15 de maio, permaneceria como presidente "pro tempore" da Fed de forma interina. "É o que a lei exige. É o que temos feito em diversas ocasiões", disse Powell na altura.
A Comissão Bancária do Senado agendou uma audiência de confirmação para Warsh para 21 de abril. No entanto, o senador republicano da Carolina do Norte, Thom Tillis, membro-chave da comissão que vota nos nomeados para o banco central, afirmou que não votará pela confirmação de Warsh até que uma investigação criminal do Departamento de Justiça sobre Powell esteja concluída.
Trump tem criticado repetidamente Powell por não reduzir as taxas de juro na medida desejada pelo presidente, e a sua administração tem-se focado na renovação de 2,5 mil milhões de dólares da sede da Fed em Washington, D.C., como uma possível forma de destituir o presidente do banco central.
Esta quarta-feira, Trump disse estar esperançado que a Comissão Bancária do Senado confirme Warsh na próxima semana, afirmando que Tillis “é americano; sabe o que fazer”.
Mas também reconheceu que Tillis pode manter a sua posição e que a investigação, liderada pela procuradora federal do Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, pode interferir com a sua capacidade de empossar Warsh na Fed no próximo mês.
Trump disse que queria Powell fora da Fed, mas não o suficiente para pedir a Pirro que encerrasse a investigação.
“Isso significa que vamos interromper uma investigação sobre um edifício que eu teria renovado por 25 milhões de dólares e que vai custar talvez 4 mil milhões de dólares? Não acham que precisamos de descobrir o que aconteceu ali?”, disse Trump na entrevista realizada na Casa Branca. “Preciso descobrir.”
O presidente chamou a Powell um “desastre” para o país.
“Aqui está um homem que pegou neste pequeno edifício e em mais alguns pequenos complexos e está a gastar mais de três mil milhões de dólares. Quero saber quem é o empreiteiro, porque este empreiteiro está a ganhar milhares de milhões de dólares, talvez.”
“Provavelmente é corrupção, mas o que realmente é é incompetência, e precisamos de mostrar essa incompetência”, disse Trump.
A Fed afirmou que os custos adicionais se devem a “condições imprevistas” que exigem mais gastos para serem corrigidas, como “mais amianto do que o previsto, contaminação tóxica no solo e um nível do lençol freático mais elevado do que o esperado”.
Trump disse que, se for forçado a demitir Powell - uma ação legalmente questionável -, que assim seja.
“Tenho evitado despedi-lo. Queria despedi-lo, mas detesto causar controvérsia”, disse Trump a Bartiromo.
Powell afirmou no mês passado que não deixaria a Fed enquanto a investigação criminal do Departamento de Justiça estivesse em curso.
“Não tenho qualquer intenção de deixar o Conselho até que a investigação esteja completamente concluída, com transparência e de forma definitiva”, disse Powell.
O mandato de Powell como presidente da Fed termina a 15 de maio e o seu mandato como membro do Conselho de Governadores termina em janeiro de 2028. Disse que ainda não decidiu se continuará a exercer funções no Conselho.
