Investigação sobre doença coronária com recurso a inteligência artificial recebe bolsa de 100.000 euros

Agência Lusa , AM
30 jan, 07:22
Jennifer Mancio

Bolsa CUF D. Manuel de Mello de incentivo à investigação para jovens médicos é promovida pela CUF e pela Fundação Amélia de Mello

A investigadora Jennifer Mancio da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), autora de um projeto que tem como objetivo o despiste de doença coronária com recurso a inteligência artificial, é a vencedora da bolsa D. Manuel Mello.

De acordo com informação divulgada esta terça-feira, a bolsa de 100 mil euros permitirá desenvolver um projeto que, através de um algoritmo de inteligência artificial, despista “em segundos a presença de doença coronária, de uma forma segura e com mais benefícios para os doentes e para o sistema de saúde”.

A bolsa CUF D. Manuel de Mello de incentivo à investigação para jovens médicos é promovida pela CUF e pela Fundação Amélia de Mello.

O projeto de Jennifer Mancio, que é investigadora e professora na FMUP, chama-se “SAFE-CT: exclusão de doença coronária utilizando inteligência artificial na Tomografia Computadorizada sem contraste”.

Em declarações à agência Lusa, a investigadora revelou que o valor do prémio “será usado para contratar engenheiros com especialidade em inteligência artificial para continuarem o trabalho já iniciado”.

“Iniciámos com pessoas que estão envolvidas em outros projetos, mas o que pretendemos é ter trabalhadores a trabalhar a tempo inteiro neste projeto, de modo a garantir que temos resultados a mais curto prazo possível”, referiu.

A doença coronária é considerada a principal causa de morte no mundo, sendo a dor torácica um dos motivos mais comuns de admissão nos serviços de urgência.

Em caso de suspeita de doença coronária, está recomendada a realização de uma angiografia coronária por tomografia computadorizada (AngioTC), um exame diferenciado que requer profissionais treinados e acreditados, que implica a administração de contraste iodado e dose acrescida de radiação ionizante.

Na amostra analisada pela investigadora, mais de 35% dos 929 doentes submetidos a AngioTC não apresentaram qualquer doença coronária e, portanto, não beneficiaram da realização deste exame.

“É fundamental encontrar uma estratégia personalizada para selecionar os doentes que efetivamente necessitam deste tipo de exame, evitando assim uma exposição desnecessária à radiação ionizante e ao contraste e, simultaneamente, a sobrecarga do sistema de saúde”, explicou Jennifer Mancio.

O projeto agora premiado pretende desenvolver uma estratégia de diagnóstico “mais segura para o doente e com ganhos em eficiência para os hospitais”, acrescentou.

Ou seja, nos doentes que apresentem dor torácica, este projeto irá permitir excluir em segundos, com recurso a inteligência artificial, a presença de doença coronária através da realização de uma Tomografia Computorizada (TC) com baixa radiação e sem contraste, um equipamento médico disponível na maioria dos hospitais portugueses, o que não acontece com a AngioTC.

“O algoritmo irá indicar o risco individual de doença coronária e ajudará a decidir se o encaminhamento do doente para um hospital central, com AngioTC, é realmente necessário”, explicou a investigadora.

Assim, e de acordo com os promotores da bolsa, esta tecnologia tem como objetivo contribuir para uma melhoria da prática clínica, bem como aumentar a capacidade de resposta dos hospitais para casos que efetivamente necessitem de investigação por AngioTC.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a CUF e a Fundação Amélia de Mello acrescentam que nesta edição 2023/2024, o júri da bolsa atribuiu, ainda, uma menção honrosa ao projeto de João Lobo, investigador no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto e médico de anatomia patológica no Instituto Português de Oncologia do Porto, que pretende investigar novos biomarcadores em tumores testiculares.

Trata-se de uma “distinção excecional” e “única na história da Bolsa CUF D. Manuel de Mello", que reflete, lê-se no comunicado, “a excelência dos trabalhos científicos apresentados nesta edição e é representativo da nova geração de conhecimento, com qualidade e potencial para desenvolver novas linhas de investigação médica”.

A cerimónia de entrega está marcada para as 11:00 de hoje, no auditório do Hospital CUF Porto, prevendo-se a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato.

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