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Juiz divulga suposta carta de suicídio de Jeffrey Epstein

CNN , Katelyn Polantz, Aleena Fayaz e Dan Berman
7 mai, 09:12
Alegada nota de suicídio de Jeffrey Epstein tornada pública por um juiz federal. O documento não está verificado nem datado, mas foi incluído no processo judicial de um antigo companheiro de cela de Epstein, que afirmou ter encontrado a nota. Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Sul de Nova Iorque

Um juiz federal dos EUA tornou pública uma alegada carta de suicídio atribuída a Jeffrey Epstein, descoberta após uma tentativa falhada de suicídio em 2019. O documento, cuja autenticidade não foi confirmada, surge numa altura em que o Departamento de Justiça divulgou milhões de ficheiros relacionados com o caso

Um juiz federal tornou pública uma alegada nota de suicídio de Jeffrey Epstein na quarta-feira. O documento, não verificado e sem data, foi incluído no processo judicial do antigo companheiro de cela do falecido agressor sexual condenado, que afirmou ter encontrado a nota.

A nota — que não está assinada — diz, em parte:

“Foram investigar-me durante meses — não encontraram NADA!!!

“É um privilégio poder escolher o momento de dizer adeus.”

“NÃO TEM GRAÇA — NÃO VALE A PENA!!”

Alegada nota de suicídio de Jeffrey Epstein tornada pública por um juiz federal. O documento não está verificado nem datado, mas foi incluído no processo judicial de um antigo companheiro de cela de Epstein, que afirmou ter encontrado a nota. Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Sul de Nova Iorque

O companheiro de cela afirmou que a nota era de uma tentativa de suicídio falhada de Epstein em julho de 2019, semanas antes de este ser encontrado morto na cela enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual. Um médico-legista concluiu que morreu por suicídio.

A divulgação do documento pelo tribunal acontece depois de o Departamento de Justiça ter afirmado que libertou milhões de documentos na sua posse relacionados com Epstein.

A existência da alegada nota de suicídio foi avançada pela primeira vez pelo jornal The New York Times, que revelou na semana passada que o documento tinha sido mantido fora do conhecimento público durante quase sete anos. O jornal pediu ao juiz distrital Kenneth Karas que tornasse públicos a alegada nota e outros documentos relacionados com o processo criminal do companheiro de cela, e o Departamento de Justiça não se opôs à divulgação.

“Parece existir um forte interesse público nas circunstâncias em torno da morte de Epstein, conforme descrito no pedido de levantamento do sigilo. Dito isto, como o Governo não tem conhecimento sobre (…) a exatidão da narrativa factual descrita no pedido, o Governo remete a decisão para o tribunal”, escreveu o departamento a Karas na segunda-feira, indicando que desconhece se a alegada nota é autêntica.

A CNN contactou o Departamento de Justiça para obter comentários.

A nota foi alegadamente descoberta em julho de 2019 pelo companheiro de cela de Epstein, Nicholas Tartaglione, um antigo polícia condenado por homicídio quádruplo. O companheiro de cela afirmou ter reanimado Epstein durante a primeira tentativa de suicídio falhada. Uma fonte policial e uma fonte familiarizada com o incidente disseram à CNN, na altura, que Epstein foi encontrado na cela, em Manhattan, com marcas no pescoço.

“Jeffrey Epstein tentou matar-se quando estava na cela comigo. Acordei, trouxe-o de volta com reanimação cardiopulmonar. E, para provar isso, Jeffrey Epstein escreveu uma nota de suicídio”, disse Tartaglione à influenciadora e escritora Jessica Reed Kraus no ano passado.

“A nota estava no meu livro, sim. Quando voltei para a cela, abri o meu livro para ler, e estava lá. Ele escreveu-a e colocou-a no livro”, acrescentou.

Tartaglione garantiu que os seus advogados recorreram a especialistas em caligrafia para autenticar a nota, avançou o Times.

O jornal incluiu essas declarações no argumento apresentado ao juiz no final do mês passado para defender que a nota deveria ser tornada pública.

No entanto, continuam a existir dúvidas em torno da primeira alegada tentativa de suicídio de Epstein.

Em julho de 2019, não era claro para os responsáveis da prisão se os ferimentos, que não eram graves, tinham sido autoinfligidos ou resultado de uma agressão, disseram várias fontes à CNN na altura. Epstein afirmou às autoridades que tinha sido agredido e chamado de predador sexual de crianças, acrescentaram as fontes.

Epstein também acusou inicialmente Tartaglione de tentar matá-lo, mas mais tarde retirou essa versão. Nos dias seguintes, disse a um psicólogo prisional que Tartaglione não o tinha ameaçado e que não tinha qualquer recordação do incidente, segundo um documento identificado como “Relatório Pós-Vigilância de Suicídio”.

Um relatório do incidente incluído nos documentos divulgados refere que Epstein foi encontrado “deitado em posição fetal no chão com um laço improvisado à volta do pescoço”.

Segundo o relatório do psicólogo, Epstein afirmou “não tenho qualquer interesse em matar-me” a 24 de julho, um dia depois da alegada tentativa de suicídio.

Repetiu a mesma afirmação durante uma nova avaliação no dia seguinte. “Estou demasiado envolvido no meu caso para não lutar. Tenho uma vida e quero voltar a vivê-la”, disse ao psicólogo, segundo o relatório.

Epstein foi então colocado sob vigilância anti-suicídio no Metropolitan Correctional Center. Mais tarde, matou-se na mesma prisão, num caso rodeado por teorias da conspiração que questionam se realmente morreu por suicídio.

O Departamento de Justiça afirmou num memorando divulgado no ano passado que não existem provas de que Epstein tenha sido assassinado e publicou 10 horas de imagens de videovigilância da prisão que mostram que ninguém entrou na cela de Epstein no dia em que morreu.

*Isabelle Khurshudyan da CNN contribuiu para este artigo

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