Oito polícias dispararam dezenas de vezes contra afro-americano morto nos EUA

Agência Lusa , AM
4 jul, 07:29

Agentes foram suspensos administrativamente até ao fim do inquérito judicial

Vídeos divulgados pela polícia de Akron, Ohio, confirmam que oito polícias dispararam dezenas de vezes contra um jovem afro-americano, cuja morte motivou manifestações coléricas nesta cidade perto de Cleveland, no norte dos Estados Unidos. Alguns dos vídeos divulgados pela polícia na conferência de imprensa vieram das câmaras instaladas nos uniformes dos agentes.

Numa conferência de imprensa no domingo, o chefe de polícia de Akron, Stephen Mylett, admitiu que as imagens eram "chocantes" e "difíceis de assistir".

Mylett disse que os agentes tentaram parar o veículo em que Jayland Walker viajava às 12:30 de segunda-feira (15:30 em Lisboa) por uma infração de trânsito e, como este não parou, iniciaram uma perseguição de carro.

Durante a perseguição, Walker terá disparado uma vez contra os polícias, algo que a família do jovem nega.

Pouco depois, Walker saiu do veículo e iniciou uma fuga a pé, enquanto os agentes o perseguiam e disparavam, considerando-o uma "ameaça mortal", segundo um comunicado divulgado na terça-feira pela polícia de Akron.

Walker, 25, foi mais tarde declarado morto no parque de estacionamento para o qual havia fugido.

De acordo com a imprensa local, os polícias dispararam mais de 90 balas contra Walker.

"Eles acertaram nele 60 vezes", denunciou na rede social Twitter a organização Black Lives Matter.

Os oito polícias envolvidos na morte foram suspensos administrativamente até ao fim do inquérito judicial.

"Justiça para Jayland"

Centenas de pessoas manifestaram-se no domingo em Akron, Ohio, após a polícia ter divulgado os vídeos. Após as autoridades terem apelado a que as manifestações decorressem de forma pacífica, uma marcha seguiu em direção à sede da autarquia de Akron, com faixas pedindo "Justiça para Jayland”.

Associações antirracistas tinham apelado a manifestações, pelo quarto dia consecutivo, em Akron, uma cidade de 190 mil habitantes, conhecida por ser a terra natal da estrela de basquetebol LeBron James.

Para o presidente da organização americana de defesa dos direitos civis NAACP, Derrick Johnson, a morte de Walker foi "um assassínio".

“Este homem negro foi morto (...) por uma possível infração de trânsito. Isso não acontece com a população branca nos Estados Unidos", acrescentou.

A marcha de domingo foi pacífica, exceto por um momento de tensão, em que os manifestantes se aproximaram de um cordão da polícia e insultaram os agentes.

O autarca de Akron, Dan Horrigan, disse apoiar “totalmente o direito” dos habitantes a “expor as suas queixas em público”, acrescentando estar "com o coração partido" pela morte de Walker.

"Mas espero que as pessoas concordem que violência e destruição não são a solução", disse Horrigan, numa conferência de imprensa, durante a qual também anunciou a abertura de uma investigação independente.

Os oito polícias envolvidos na morte foram suspensos administrativamente até ao fim do inquérito judicial.

A autarquia já tinha decidido na quinta-feira cancelar um festival anual previsto para o fim de semana prolongado do feriado nacional americano, que se celebra hoje, por considerar que “não era altura para festividades”.

E.U.A.

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