O presidente norte-americano afirmou na segunda-feira que o seu governo está a avaliar a sua posição sobre as Malvinas, administradas pelo Reino Unido
O presidente argentino, Javier Milei, afirmou esta terça-feira que a reivindicação sobre as ilhas Malvinas é a causa "mais importante e sagrada" dos cidadãos do seu país, em agradecimento pela declaração de Donald Trump, que afirmou que Washington poderá mudar a sua posição e defender a soberania argentina sobre o arquipélago face ao Reino Unido.
"Ontem [segunda-feira] aconteceu algo muito forte relativamente à causa mais importante e sagrada que nós, argentinos, temos", afirmou Milei numa entrevista à rádio El Observador.
O presidente norte-americano afirmou na segunda-feira que o seu governo está a avaliar a sua posição sobre as Malvinas, administradas pelo Reino Unido. "Revejo sempre todas as posições, essa é apenas uma entre muitas", respondeu o presidente norte-americano à pergunta de um jornalista na Casa Branca.
As declarações de Trump introduzem um novo elemento na política do governo de Milei na reivindicação da soberania sobre o arquipélago, depois de o presidente argentino ter assegurado, em agosto, que a aliança com os Estados Unidos era a "chave" para o recuperar.
"Os Estados Unidos mudaram a sua visão estratégica do mundo, olham para isto de uma perspetiva política e é necessário um aliado fiável na passagem do Atlântico para o Pacífico. A Argentina está a cumprir todas essas condições e essa é a chave que nos vai permitir recuperar as Malvinas", disse Milei no início de agosto.
Dias depois, o embaixador norte-americano em Buenos Aires, Peter Lamelas, afastou a existência de qualquer mudança na política de Washington.
"Os Estados Unidos têm uma posição de neutralidade sobre as ilhas. Isso não mudou", sublinhou Lamelas ao canal argentino TN.
Os Estados Unidos têm mantido historicamente uma posição neutra na disputa pela soberania das Malvinas, embora tenham reconhecido a administração britânica do arquipélago.
Milei tem defendido que a reivindicação argentina deve ser resolvida pela via diplomática, depois do que aconteceu durante o Mundial de 2026, quando os jogadores da seleção argentina exibiram uma faixa com a frase "As Malvinas são argentinas" após vencerem a Inglaterra nas meias-finais.
Horas depois da entrevista, e terminada uma reunião entre Milei e o seu gabinete, a presidência informou que, na quinta-feira, o chefe de Estado fará uma comunicação ao país em cadeia nacional, na qual dará mais detalhes à população sobre "os avanços diplomáticos que a chancelaria está a levar a cabo em defesa da soberania das ilhas Malvinas".
