Rede de tráfico de droga tinha plano para fazer três viagens por mês para Portugal

20 abr, 22:30

Polícia brasileira descobriu contrato feito por suspeitos envolvidos no caso do avião da OMNI em que viajou João Loureiro e que previa o pagamento de 10,7 milhões de euros para garantir transporte de cocaína durante um ano no Falcon

A Polícia Federal Brasileira está convencida de que a rede de tráfico de droga entre Portugal e o Brasil, envolvida no caso do avião apreendido em fevereiro de 2021 com quase 600 quilos de cocaína - em que viajava João Loureiro -, se preparava para fazer três voos por mês para transportar droga entre os dois países.
A descoberta, apurou a CNN Portugal, foi feita durante a investigação do Processo Descobrimento – que esta terça-feira levou a Policia Judiciária portuguesa e a Polícia brasileira a fazerem buscas e detenções para desmantelar uma organização criminosa especializada em tráfico de cocaína.    

O Grupo Especial de Investigações Sensíveis da polícia brasileira, apurou a CNN Portugal, terá encontrado provas de que estava em curso um plano elaborado por dois sócios e membros da rede que chegaram a ter um contrato de compra e venda para adquirir a OMNI, a empresa portuguesa de jatos privados proprietária daquele Falcon 900 que foi apreendido com cocaína.

O objetivo era conseguir transportar elevadas quantias de cocaína do Brasil para Portugal e, nesse sentido, foi elaborado, em janeiro de 2021, um plano para garantir três jatos mensais para trazer droga para Portugal. Para isso chegou a ser elaborado um contrato no valor de 10,7 milhões de euros que previa que um dos elementos da rede de tráfico de droga fretasse o avião Falcon 900, ou outro do mesmo género. O contrato seria feito em nome de uma empresa de advogados cujo um dos proprietários é também um dos suspeitos da organização criminosa.

A liderar o processo estaria um daqueles dois sócios que tentaram comprar a OMNI, o advogado Rowles Magalhães Pereira da Silva, com nacionalidade brasileira e portuguesa, que na terça-feira foi detido no Brasil, no âmbito deste processo  e que mantinha uma relação amorosa com Nelma Kodama, conhecida como “Dama do Lava Jato” e que a Judiciária portuguesa deteve no Hotel Ritz, em Lisboa.

Este plano de contratar três aviões por mês foi feito 15 dias antes da polícia brasileira ter descoberto aqueles 600 quilos de cocaína, a 9 de feveiro de 2021, escondidos no jato executivo da empresa portuguesa quando este estacionou no aeroporto internacional de Salvador, na Baía para abastecer.  Esta viagem - onde seguia João Loureiro que ali estaria de forma acidental – não terá sido, segundo a investigação em curso, a única que transportou droga entre Portugal e Brasil durante os anos da pandemia.

Vários voos suspeitos

A CNN Portugal  sabe que a investigação está convencida de que o antes desta viagem, e durante o ano de 2000, terão sido realizados, pelo menos, cinco voos, com outra aeronave, com fortes suspeitas de transporte de droga para Portugal. 

Esta rede internacional de tráfico de droga seria composta por “fornecedores de cocaína, mecânicos de aviação e auxiliares (responsáveis pela abertura da fuselagem da aeronave para acondicionar o estupefaciente), transportadores (responsáveis pelo voo) e doleiros (responsáveis pela movimentação financeira do grupo)”, adiantou a polícia federal.

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